“Todas as religiões assentam no pressuposto de que existem duas dimensões do real: a sagrada e a profana.A sagrada define-se por oposição à profana, e corresponde a uma realidade que é assumida como perfeita, divina e dotada de poderes superiores aos humanos, suscitando no homem respeito, medo e reverência.
A profana identifica-se com o mundo em que vivemos, sendo apontada como banal e vista inferior em relação à sagrada (Profano, do latim pro (diante de) e fanum (espaço sagrado).”
Navegando pela Internet, li os conceitos grifados no site da Wikipedia.
Passei a refletir sobre essas duas dimensões nos tempos de hoje.
Então fiquei um tanto confuso e não consigo encontrar alguém que me possa esclarecer melhor o que é um e o que é outro.
Nos tempos dos anos 50 e início de 60, as Ave-Marias de Gounod e Schubert não podiam ser executadas dentro das igrejas porque eram consideradas músicas profanas.
Agora, vejo um padre cantando “Glória, Aleluia” num programa de televisão, tendo ao fundo um grupo de mulheres dançarinas de mini-saia e dentro de algumas igrejas danças de rap e bandas de rock, para atrair os jovens à fé, tirando-os do mundo das drogas.
O que é sacro? O que é profano?
O que se deve? O que não se deve?
O que é certo? O que não é certo?
Muitas coisas, a título de outros tempos, acabam sendo justificadas e as virtudes cedem lugar ao que é mais cômodo.
Percebo que o sagrado perde espaço e o profano tem lugar garantido na cultura religiosa e cristã.
Tenho muita dificuldade em, entrando a qualquer igreja, Casa de Deus, Casa de Silêncio e Oração, aceitar o murmúrio, o falatório, o barulho que trazem, no meu entender, muito desrespeito ao Cristo que está no sacrário.
E as celebrações, ao toque de bandas estridentes e exibidas, no barulho das baterias e som de guitarras “envenenadas”, perdem o objetivo maior de, na concentração silenciosa do espírito, trazer Deus até nós.
Será que o sacro deixa de existir e profano deve continuar prevalecendo para seguir o caminho de Cristo?
Será que o conceito de felicidade já nesta vida é suficiente para estabelecer o futuro da vida eterna?
“Tenho medo do Cristo que passa”, disse um dia Santo Agostinho!
Antônio Ierárdi Neto
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por comentar. Sua participação é muito importante para nós. Deixe seu e-mail para podermos lhe contatar.