PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Casar ou não casar?
Hoje podemos dizer, sem receio, que 85% dos casamentos celebrados na Igreja não são sacramentos, pela falta de condições consideradas essenciais para que haja sacramento.
Há pessoas que se preparam em tudo, menos na sua consciência, não têm certeza sobre o que realmente querem para sua vida. Dessa forma, vemos preocupações com fotógrafos, flores, convidados, músicas e entrada triunfal; e pouca preocupação com o que vai acontecer em nível da Graça de Deus. Ajunte a isso uma canseira em preparar a festa, viagem de núpcias...
Mas fizeram o curso de noivos! O que fazer quando no curso de noivos percebem que não pode haver casamento, quando se esclarecem os motivos pelos quais iriam casar-se e agora sabem que não vai dar certo? Desfazer tudo agora? Onde está a coragem para assumir o vexame? “Seja o que Deus quiser” e Deus ainda tem de assumir o estrago!
Nem falemos daqueles que não percebem nada, não analisam nada, eles querem casar-se. E o resto?
Aí entram gatos e lebres: imaturidade, falta de consciência de que estão fazendo um sacramento, coação moral e até física, engano de pessoa, fugas de situações desagradáveis, obrigação moral.
Coitada da jovem que acreditou que iria colocar aquele homem nos eixos ou que, depois do casamento, tudo mudaria.
O que falar dos infantis, meigamente apaixonados que, entre as juras de amor, acreditam não ter problema morar debaixo da ponte!?
Temos de ter a coragem de dizer para muitos que não se casem, não sejam insensatos. Vão viver juntos e quando se sentirem maduros, procurem sua paróquia para transformar tudo em sacramento. Temos de ter coragem para enfrentar pais sonhadores ou rancorosos que não aceitam que seus filhos não se casem. Eles também são culpados dos fracassos que acontecem a partir disso.
Também está na hora de a Igreja repensar sua legislação sobre o matrimônio. A Igreja que é tão solícita com os seus filhos, hoje continua vendo esse desmando e tenta remediar com esses imensos e longos processos de declaração de nulidade do matrimônio. Processos caros, longos, exigentes, a que pouca pessoas têm acesso, sem falar das exigências descabidas de alguns Tribunais Eclesiásticos. Será que precisamos de tudo isso? Bendita Igreja, sem ruga e sem mancha, “aggiornata” como queria nosso Papa João XXIII.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 6
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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