
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Lixo no lixo. Uma exigência ética?
É impressionante a quantidade de lixo que uma família produz diariamente e isso quase sem perceber. Ao lado disso, há o lixo que cada um produz com papéis de bala, palitos de sorvete, copos e garrafas descartáveis, papéis de embrulhos, sacos plásticos. Esse acúmulo de lixo é um problema para a gestão pública e tem um alto custo social pelo qual todos pagam.
Quando o noticiário traz o problema das enchentes, há um lado que poucos dão atenção.
Quanto lixo boiando nas enchentes e nos rios. E o lixo de cada um deixado
displicentemente e mal educadamente nas calçadas e ruas, que alguns garis gentilmente empurram para dentro dos captadores de água pluvial. É o lixo que sobrou da seleção de diversos catadores de papel empurrado nas margens dos córregos. São sofás velhos, fogões e cadeiras quebradas, que vão rolando rio abaixo. Se cada um fizesse um pouco, que bom seria.
Cada um pode pelo menos ter a preocupação de colocar o lixo no lixo. Pode ser pouco, mas a soma de todos os restos e descuidos ajudam a provocar os acidentes que sempre temos oportunidades de presenciar principalmente nas cidades grandes.
Quando ficamos como observadores, notamos como ainda estamos longe de uma cultura em que seja normal procurar um cesto de lixo para jogarmos fora os objetos usados. Quanto tempo vamos levar ainda para perceber que agredindo a natureza estamos agredindo a nós mesmos e que faz parte da cidadania ser limpo e manter a limpeza por onde passamos ?
Cada vez mais notamos a importância dos garis que com dedicação nos dão o prazer de ter as cidades limpas, mas o grande incentivo que podemos lhes dar é a nossa colaboração.
Não sentimos que é difícil colocar o lixo no lixo; o difícil é educar para adquirir esses hábitos de limpeza, o gosto de se sentir confortável ao encontrar ou ao deixar tudo limpo.
Parece que o externo é reflexo do interno. Como podemos valorizar uma pessoa desleixada externamente e como acreditar que internamente seja também diferente do que vemos. ?
Mais que tudo, lixo no lixo é uma questão ética. Traz benefícios para a coletividade, ajuda na preservação sadia do meio ambiente, evita acúmulo de lixo diminuindo o custo social do trabalho nas coletas do mesmo.
Facilmente confundimos pobreza com falta de higiene e limpeza. Só que ambas não precisam andar juntas. Pode haver grande pobreza, mas as pessoas se educam e mantêm tudo limpo ao seu redor. Sujeira pode se confundir com falta de educação, falta de cultura, falta de auto-estima e falta de racionalidade. Sujeira degrada as pessoas, pois as pessoas que se acostumaram a ser sujas emporcalham tudo por onde passam.
Lixo no lixo é moral e não fazê-lo está na lista dos erros.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
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