Por que pagar missas, batizados e casamentos?
É muito deprimente essa visão de pagamento por uma celebração religiosa. Quem tem essa mentalidade mostra bem que é um dos que usam a comunidade em vez de participar de maneira normal na vida dessa comunidade.As espórtulas, assim são chamadas essas taxas, eram remuneração ou um tipo de honorário da parte de quem foi beneficiado pelo exercício de um profissional liberal. Assim era no Direito Romano, uma vez que para os profissionais liberais não havia nada estipulado e seu trabalho não era objeto de salário.De maneira análoga a Igreja aplicou isso à questão do culto, mas os bens espirituais nunca eram distribuídos em troca de pagamento ou salários. De início as ofertas eram voluntárias e eram levadas ao altar juntamente com o pão e o vinho no momento em que até hoje chamamos de ofertório. Mais tarde aparecem as ofertas em dinheiro. Essas ofertas eram destinadas ao culto e à vida de determinada igreja. Com o surgimento de missas particulares, essas ofertas acabavam ficando com o celebrante.No século IX, isso ficou sendo uma prática comum, e mais tarde vai dar asas a muitas críticas, pois essas ofertas davam a aparência de verdadeira simonia.Os teólogos da Igreja sempre justificaram essa prática das espórtulas mostrando que não se tratava de compra e venda de sacramento, mas de uma forma de sustentação do clero e do culto.A Igreja poderia ter evitado esses problemas se tivesse mantido a prática do dízimo, onde não haveria apenas a oferta e sim a riqueza da gratidão e da partilha. Mas o entusiasmo do início, fez com que pensassem curto. Veja os problemas da Igreja de Jerusalém nos Atos dos Apóstolos na questão da manutenção.Para os desprevenidos e mal informados dizemos que ninguém paga sacramento. As pessoas pagam para alguém estar a seu serviço; para conservar os documentos em arquivos; para a manutenção do templo com seus enfeites, reparos, empregados, luz etc. E é muito pouco o que elas pagam para usarem a igreja, perto do que pagam para os fotógrafos, corais, mestre de cerimônias nos casamentos e nos batizados.Todos os serviços devem ser taxados porque nem todos têm o bom senso e conseguem avaliar os custos de uma comunidade. Se houvesse mais bom senso, poderíamos deixar a critério de cada um, mas isso é insustentável. Outro dia um padre cobrou uma taxa menor num casamento por ser filha de um ministro da Eucaristia na comunidade, mas para surpresa sua ficou sabendo que pais e noivos foram para a Itália em viagem especial depois do casamento.Na sociedade todos têm o direito de cobrar, menos a comunidade que tem de viver de esmola. O Evangelho lembra que o operário é de seu salário, não há do que reclamar. Já que não partilhamos nossos bens, quem quiser usar a comunidade, que pague.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Como sempre, Pe.Libárdi, muito bem colocado esse assunto!
ResponderExcluirEstive no começo do mês numa paróquia do Brooklin aqui em São Paulo como padrinho de batismo de minha neta. Houve uma solenidade muito bonita com a presença de 16 neófitos, dentre eles minha netinha e afilhada.
Tudo estava sendo coordenado pelo meu filho. Quando estávamos já em casa perguntei a ele sobre o pagamento e ele me informou que não havia pago nada.
Isso comprova que existe forte a presença da comunidade naquela paróquia que não se preocupa em recebimentos de batismos, casamentos, missas e outros..
Por outro lado, ainda imagino que bom seria se essas celebrações não necessitassem de fotógrafos, corais, flores, tapetes e tudo apenas fosse como no rio Jordão, onde só poderia existir a fé....
Complemento também que meu neto era um dos neófitos...
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