Quando vai acontecer a Nova Evangelização?
Nova Evangelização, essa aspiração nasceu do Papa João Paulo II. Ele propunha para a Igreja um esforço para evangelizar com novos métodos, novas formas de apresentação da doutrina e novo ardor missionário. A intenção era renovar a Igreja, mas nem sempre a intenção realiza alguma coisa. Continuamos a falar em Nova Evangelização.Foram muitos os comentários que essa idéia despertou e foram pensadas ações evangelizadoras com nova metodologia, só que o efeito esperado não apareceu. Alguns acham que foram feitas muitas coisas. De fato a secularização andou mais depressa do que a Igreja. No papel aconteceram programações espetaculares, inclusive a programação de preparação para o Terceiro Milênio no Brasil. Mas o destino dos papéis são as gavetas das secretarias paroquiais, onde tudo cabe e permanece sepultado para sempre.Na verdade enfrentamos um mundo secularizado, onde o Cristianismo passou por transformações importantes e o catolicismo deixou de ser a religião única; onde encontramos milhares de formas religiosas. Também é verdade que a secularização trouxe o indiferentismo religioso e o fruto podre do racionalismo que é o ateísmo.Quando falamos de Nova Evangelização, novas formas e métodos, acreditamos que toda a teologia dogmática, moral e bíblica, passaria por uma nova leitura e haveria limpeza na doutrina católica, deixando de lado conceitos medievais, teologias superadas, nova leitura dos dogmas e tudo seria apresentado numa linguagem moderna, condizente com os conceitos e vocabulário de hoje. Não foi isso que vimos com o lançamento do Catecismo, com a reforma do Direito Canônico, com os textos do Sínodo dos Leigos e da Vida Consagrada e com o silêncio imposto a teólogos e biblistas.O resultado dessa contramarcha é a Igreja que temos hoje, preocupada se o povo reza juntamente com o sacerdote orações reservadas ao presidente da assembléia, preocupada em programar acontecimentos que não chegam ao povo. Nós que somos pastoralistas é que sentimos como está a formação do povo e como ele vê a Igreja. A Igreja precisa sair do escritório e sujar os pés na poeira da pobreza. Nunca a Igreja teve tão pouca voz e vez. E o povo cada vez mais distante da comunidade, enquanto outras Igrejas atraem porque oferecem soluções rápidas e eficientes para situações-limites e para as quais nossa Igreja não tem uma palavra.Para se viver em paz numa paróquia nada como uma lista bem organizada de pecados que facilite as confissões, onde elas ainda existem; uma pastoral de manutenção sem inventar nada de novo. Ninguém vai chamar-nos a atenção, não sentimos angústia com os que não são atingidos ou se ausentam de nossas celebrações e estamos satisfeitos com uma boa parcela de fiéis conservadores e de movimentos autônomos ou não existentes em nossa paróquia. Esquecemos do que diz Paulo. “Como vão crer, se não há quem os ensine?”
Do livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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