Pe. João A. Mac Dowell S.J.
É difícil acreditar no inferno. Como Deus pode punir um filho seu com um castigo eterno, por causa de um pecado, um passo em falso que ele deu?
Há vários equívocos na sua pergunta. O inferno não é um lugar de tormentos, onde Deus castiga quem morreu depois de ter cometido um pecado grave. Está dentro da própria pessoa: é a situação final de quem se recusa livremente a obedecer a Deus e a aceitar o seu perdão gratuito. Deus não condena ninguém ao inferno. Como diz Jesus: "Deus não mandou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele" (Jo 3,17). Ele oferece a todos a sua amizade e a participação na sua vida e felicidade.
Nós é que podemos rejeitar esta oferta de comunhão com Deus e com os outros, preferindo fechar-nos na nossa auto-satisfação e auto-suficiência. Só quem se abre a Deus e ao próximo pelo amor encontra a felicidade que ele prometeu a suas criaturas. O inferno não é senão o resultado da decisão da própria pessoa, que se isola no seu egoismo, colocando o seu gosto e interesse acima da vontade de Deus e dos direitos do próximo. Quem morre nesta situação sentirá para sempre o vazio terrível do isolamento total no ódio e na tristeza; porque fomos criados para o amor e para a vida em comunhão.
Mas, como Você vê, esta atitude, que conduz à perdição eterna, não corresponde a um simples passo em falso. Quem busca sinceramente a verdade e peca por fraqueza ou não consegue libertar-se de uma situação que ele mesmo reconhece como injusta e pecaminosa, mostra que o seu amor é frágil e incoerente, mas existe. Gostaria de fazer o bem, mas o egoismo prevalece ainda sobre o desejo de fidelidade a Deus e de respeito aos outros. O seu coração está dividido, mas não completamente fechado. Porém, se vai justificando cada vez mais seus erros, se se coloca no centro de seu próprio mundo, desprezando os outros e subordinando tudo ao seu capricho, corre o risco de tornar-se definitivamente surdo aos apelos de Deus e de sua consciência.
É justamente para chamar a atenção para este perigo e despertar a nossa responsabilidade diante do próprio destino, que Jesus fala do inferno, i.e. da possibilidade do fracasso total da nossa existência. De fato, Deus não se cansa de bater à porta do nosso coração, oferecendo a sua graça. Até o último momento a pessoa tem a oportunidade de reconciliar-se com Deus, com seu próximo e consigo mesmo. A misericórdia do Senhor é sem limites. Por isso podemos esperar que, mesmo aqueles que parecem mais endurecidos na recusa do amor, acabem por aceitar o dom de Deus e livrar-se do inferno.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUMES 1 E 2
EDITORA SANTUÁRIO
João A. Mac Dowell S.J.
http://www.redemptor.com.br
É difícil acreditar no inferno. Como Deus pode punir um filho seu com um castigo eterno, por causa de um pecado, um passo em falso que ele deu?
Há vários equívocos na sua pergunta. O inferno não é um lugar de tormentos, onde Deus castiga quem morreu depois de ter cometido um pecado grave. Está dentro da própria pessoa: é a situação final de quem se recusa livremente a obedecer a Deus e a aceitar o seu perdão gratuito. Deus não condena ninguém ao inferno. Como diz Jesus: "Deus não mandou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele" (Jo 3,17). Ele oferece a todos a sua amizade e a participação na sua vida e felicidade.
Nós é que podemos rejeitar esta oferta de comunhão com Deus e com os outros, preferindo fechar-nos na nossa auto-satisfação e auto-suficiência. Só quem se abre a Deus e ao próximo pelo amor encontra a felicidade que ele prometeu a suas criaturas. O inferno não é senão o resultado da decisão da própria pessoa, que se isola no seu egoismo, colocando o seu gosto e interesse acima da vontade de Deus e dos direitos do próximo. Quem morre nesta situação sentirá para sempre o vazio terrível do isolamento total no ódio e na tristeza; porque fomos criados para o amor e para a vida em comunhão.
Mas, como Você vê, esta atitude, que conduz à perdição eterna, não corresponde a um simples passo em falso. Quem busca sinceramente a verdade e peca por fraqueza ou não consegue libertar-se de uma situação que ele mesmo reconhece como injusta e pecaminosa, mostra que o seu amor é frágil e incoerente, mas existe. Gostaria de fazer o bem, mas o egoismo prevalece ainda sobre o desejo de fidelidade a Deus e de respeito aos outros. O seu coração está dividido, mas não completamente fechado. Porém, se vai justificando cada vez mais seus erros, se se coloca no centro de seu próprio mundo, desprezando os outros e subordinando tudo ao seu capricho, corre o risco de tornar-se definitivamente surdo aos apelos de Deus e de sua consciência.
É justamente para chamar a atenção para este perigo e despertar a nossa responsabilidade diante do próprio destino, que Jesus fala do inferno, i.e. da possibilidade do fracasso total da nossa existência. De fato, Deus não se cansa de bater à porta do nosso coração, oferecendo a sua graça. Até o último momento a pessoa tem a oportunidade de reconciliar-se com Deus, com seu próximo e consigo mesmo. A misericórdia do Senhor é sem limites. Por isso podemos esperar que, mesmo aqueles que parecem mais endurecidos na recusa do amor, acabem por aceitar o dom de Deus e livrar-se do inferno.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUMES 1 E 2
EDITORA SANTUÁRIO
João A. Mac Dowell S.J.
http://www.redemptor.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário
Obrigado por comentar. Sua participação é muito importante para nós. Deixe seu e-mail para podermos lhe contatar.