PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsROnde a Igreja errou?
Sempre temos medo de dizer que a Igreja, em sua parte humana, errou. O que nos perturba é pensar que ela é assistida pelo Espírito Santo, mas nos esquecemos que a Igreja se situa no tempo e tem sua face humana. Hoje face ao panorama sombrio da fragmentação do nosso universo religioso e de uma Igreja em situação de diáspora (K. Rahner) ou de um crepúsculo do Cristianismo e face também à descristianização atual (R. Rémond), temos de pedir perdão pelos pesados erros cometidos ao longo dos tempos. É necessário um exame de consciência e importa também uma confissão pública dos fatos, pois não podemos negar a história. Ficamos inventando mil explicações que até parecem lógicas, quando é muito mais lógico dizer que erramos. Seria essencial que a Igreja declarasse, sem negar o que produziu de positivo. os erros da Inquisição, o problema gerado na época pelos Estados Pontifícios, a violação de consciência, o apoio dado ao braço secular. Que fazer com os frutos de 500 anos de evangelização da América Latina, em que se misturam mensagem de fraternidade com sangue derramado em uma pseudo-colonização feita em nome de Deus? (livro “Veias abertas da América Latina”). Não podemos lamentar hoje do tipo de Cristianismo que isso produziu e nem de sermos uma minoria eclesial em relação à população do pais. É duro evangelizar quando vemos que não temos mais a força de convocação que tínhamos antes. Mauriac diz que a “primeira comunhão das crianças é sinal oficial e reconhecido por todos de que a criança vai abandonar a Cristo e a Igreja”. Estamos diante de dois fenômenos: a religião desacreditada ou crise e declínio da fé. O modelo de Igreja que leva a religião a radicalizar sua instituição com rigidez e racionalidade não leva a nada mais. Isso átrios fundamentalistas e pretensos ortodoxos. O mundo caminha numa direção e a Igreja na contramão, distante da cultura da pós-modernidade. Estamos em pleno Areópago, onde os gregos falaram para Paulo “... ouviremos você depois”. Nos tempos de hoje, temos de visualizar um catolicismo pluriforme com abertura para o mundo moderno, sem conflito e concorrência, mas que não chega mais em atraso com suas orientações, concepções e orientações éticas e morais. Caso contrário é aceitar que tudo se desagregue e impluda. Temos clareza sobre o subjetivismo religioso, a individualização criada na quebra das relações humanas, mas não podemos aceitar que a igreja se recolha no silêncio da sacristia e se negue ao diálogo com o mundo moderno, já preconizado por Pio XII. Ainda que pessoas se reservem o direito de decidir independentemente, a Igreja “sem ruga e sem mancha, terá condições de se apresentar como uma nova opção e um caminho feliz para uma vida na experiência de Deus e de fraternidade. O velho pecado contra o Espírito Santo, segundo a fórmula de Santo Agostinho (compelle intrare: force a entrar), não pode mais se repetir sob pretexto nenhum, impedindo uma opção livre e esclarecida.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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