
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
O dízimo é problema ou solução?
Na Assembléia dos bispos (CNBB) em 1974, ficou decidido a implantação do dízimo nas dioceses não como uma exortação, mas como uma meta a ser atingida. Era uma opção definitiva pelo dízimo em substituição às taxas cobradas nas paróquias, mas muito mais como uma forte conscientização sobre a responsabilidade de cada cristão na evangelização, no atendimento às urgências pastorais e sobre a necessidade de partilha dos bens como uma gratidão a Deus e ajuda aos irmãos.Não era objeto criar uma campanha para resolver problemas financeiros das paróquias, o que pode ser feito de outra forma, mas se visava um despertar do cristão para que percebesse que ele é a Igreja e que em suas mãos está a obrigação e o direito de pregar o Evangelho, que não fica só em palavras, mas se desdobra em ações concretas em favor dos necessitados da comunidade. Seria uma expressão forte de comunidade.Outra dimensão do dízimo é a gratidão e o testemunho da fé; uma demonstração do reconhecimento de que tudo vem de Deus. É a partilha que destrói o egoísmo, a ganância, devolve a alegria e coloca a pessoa na gratuidade do hoje e do amanhã.Não se trata de pagamento, nem donativo ou oferta; dízimo é a ação de graças pelo dom recebido e a participação na vida da comunidade, por isso não é taxa que se paga. Quando falamos do dízimo em sentido estrito, queremos falar em 10% do que se recebe ou se produz, mas ficou recomendado pelos bispos a restauração do dízimo livre, sem obrigação aritmética. Cada um decide segundo a generosidade de seu coração e da compreensão de ser Igreja e de seu papel na mesma, apesar de manter o nome de “dízimo”.O dízimo tem raízes no Antigo Testamento como suporte do culto no Templo e devolução a Deus de parte dos bens adquiridos. Historicamente o dízimo dos judeus não foi imposto aos cristãos, ficando apenas as exortações aos fiéis, sem com isso abolir a obrigação da caridade e da justiça. Porém sempre algo semelhante acontecia para a manutenção do culto e sustento dos pobres.A partir do século VI o dízimo já aparece como obrigação que acabou na fórmula que nós conhecemos no catecismo: “pagar o dízimo segundo o costume” e esse costume variou muito até chegarmos ao que temos nos dias de hoje.Conforme olhamos, assim vemos, diz o provérbio. Para alguns isso é algo chato e há padres que se sentem constrangidos em falar em dízimo ou em outros meios de partilha e manutenção da evangelização. Há os que já perceberam que o dízimo é fonte de bênção e que a partilha enriquece, para esses falar em dízimo não é problema. Há os que usam a comunidade e acham que os outros têm obrigação de atendê-los.
Do Livro:
RELIGIÃO TAMBÉM SE APRENDE - VOLUME 11
EDITORA SANTUÁRIO
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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