
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Todas as religiões são boas?
As pessoas às vezes justificam-se de sua prática religiosa ou da mistura que fazem de religiões, dizendo que todas as religiões são iguais e são boas. Fica no ar uma pergunta: será que Deus não revelou nada, não pediu nada à pessoa humana? Será que ele tem de se contentar com aquilo que as pessoas acham?Acompanhando a Bíblia, vemos como Deus colocou-se e o que ele ordenou como caminho de realização humana e de relação com ele. Mas quem não conhece a Bíblia apresenta outro livro como revelação de Deus. O que dizer diante disso?Precisamos distinguir entre a coisa em si e o que se passa dentro de cada pessoa.Objetivamente falando, não podemos afirmar que todas as religiões sejam iguais, pois se fundamentam em verdades ou credos diferentes, e mesmo aquelas que nasceram de uma mesma fonte possuem variantes. Há um fundo igual, porque são crenças e comportamentos nascidos da lei natural que já está no coração de todos e de cada um. Sadiamente, ninguém vai matar, roubar etc., isso está no senso de cada um. Assim como todos rezam, têm suas práticas religiosas e suas virtudes. Mas, além disso, cada religião tem seu credo, sua ética, sua moral própria.Assim sendo, objetivamente, não podemos dizer que todas as religiões são iguais ou que todas sejam boas. Basta nos lembrarmos daquelas que preconizam suicídios em massa.O Concílio Vaticano II diz: “Cremos que essa única verdadeira Religião subsiste na Igreja Católica e Apostólica, a quem o Senhor Jesus confiou a tarefa de difundi-la” (Dignitatis Humanae, n. 1).Por outro lado, sabemos que muita gente não vai conhecer Jesus, sua Igreja e seu Evangelho. Se muitas pessoas forem sinceras e tiverem o coração reto, elas se salvarão pela fé ou pela sinceridade de suas vidas.A Constituição Conciliar Lumen Gentium, n. 16, diz: “Aqueles que ignoram sem culpa o Evangelho de Cristo e sua Igreja, mas buscam a Deus com sinceridade de coração e se esforçam, sob ação da graça, por cumprir na vida a sua vontade conhecida através de sua consciência, também esses podem alcançar a salvação eterna”.Contudo, não podemos radicalizar nem vulgarizar, afirmando coisas do tipo: “Agora vale tudo!” Por outro lado, não podemos também condenar facilmente pessoas que são corretas, que seguem por outros caminhos os ditames de sua própria consciência e não se afastam daquilo que, para elas, é sagrado e é expressão da vontade de Deus.Isso também não impede nenhuma ação missionária e o esforço para fazer conhecido o Evangelho que tivemos a graça de receber.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO
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