
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Os movimentos de Igreja são uma bênção ou perigo?
Escutamos muitas reclamações de padres e párocos que não apóiam diversos movimentos e há outros padres que não querem saber de movimentos em suas paróquias. Há razões para todos os lados.
Os movimentos na Igreja nascem da inspiração do Espírito Santo, respondendo às urgências da Igreja em determinados lugares, ocupando espaços vazios na Ação Pastoral. Sem dúvida fazem parte da riqueza que temos e ajudam no trabalho de conscientização das pessoas, no seu engajamento na comunidade e favorecem o desenvolvimento de uma espiritualidade.
Há movimentos que se adaptam mais a uma cultura que a outras. Como há movimentos que respondem a necessidades de igrejas locais, dentro de determinado tempo. Se eles não se renovam nem se adaptam certamente vão perder sua razão de ser ou seu dinamismo, ficando à mercê do esforço de alguns abnegados que acreditam no movimento apesar já estarem fora de seu tempo. Ninguém quer fechar a porta e apagar as luzes.
Precisa cuidado em importar e exportar movimentos que possuem peculiaridades e fisionomias próprias. Eles acabam até crescendo, mas criam problemas para a pastoral que, no momento, pode não ter necessidade dessa espécie de trabalho.
O problema começa a aparecer quando determinado movimento não se enquadra na Pastoral da paróquia; vem de fora com objetivos específicos que não são prioridades na Comunidade. Essas pessoas insistem em implantá-lo e difundi-lo mesmo que seu movimento não caiba no Plano de Pastoral Paroquial.
Outro problema está na autonomia dos movimentos. Eles são montados, estruturados, independentes do Plano de Pastoral, independentes da Coordenação Pastoral Paroquial, que pertence ao pároco, e funcionam paralelamente à vida da Comunidade paroquial.
Com uma bênção de um bispo ou mesmo da Santa Sé, vão se estabelecendo e ninguém consegue colocá-los dentro do trabalho de conjunto da Comunidade. Funcionam bem, mas deixam sempre a Comunidade de fora, correm paralelos às atividades da paróquia. Seus dirigentes não aceitam a coordenação do pároco ou, pelo menos, dificultam seu trabalho na coordenação da paróquia. É fácil imaginar a confusão, onde cada um faz o que quer e o que está escrito no bendito manual.
Perguntamos para alguns por que não são catequistas, por que não trabalham na Pastoral dos Enfermos, do Dízimo e não se engajam na paróquia, e ficamos sem respostas. Percebemos que são igrejas paralelas, panelinhas com direito adquirido de horário, uso de salões paroquiais e pouco se importam com a direção para onde caminha a paróquia. Onde ficam a comunhão e participação, o sentido de pertença a uma comunidade? Que pároco vai querer uma paróquia com essas ervas daninhas? O que é uma bênção, pode tornar-se um perigo.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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EDITORA SANTUÁRIO
Padre Libárdi, participei do movimento CAMINHO NEOCATECUMENAL ( segundo eles, não é um movimento mas sim comunidade!). De fato vi ali muito do que foi dito no que tange ao afastamento de fiéis do maior convívio na paróquia. Há a participação direta no pároco, mas não se esconde a preocupação de que pessoas neocatecumenais estão prioritariamente envolvidas nas celebrações e compromissos das suas próprias comunidades, deixando a segundo plano os deveres com a paróquia que as acolhe!
ResponderExcluirOlhe, padre amigo, considero o caminho traçado por Santo Afonso, a missão dos redentoristas um "movimento" que move e comove e fixa os fiéis à sua comunidade paroquial. É o "movimento" que, na humildade do seu fundador e participantes, tem a verdadeira intenção de salvar almas! Prossigam assim, redentoristas!