
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
A Igreja católica exige demais?
Quantas pessoas, ao conhecerem algumas condições que a Igreja coloca para uma melhor formação ou conscientização, ficam nervosas e saem reclamando da exigência.Está na hora de exigir muito mais. Para que esse mundo de católico, cuja fé não significa nada, se sua vida não testemunha aquilo em que acredita? Para que batizar filhos de pais que não participam da vida da comunidade e ainda trazem padrinhos que nem sabem o que estão fazendo? Para que celebrar matrimônios de pessoas que não têm condição de assumir esse sacramento ou de realizá-lo validamente?Já passamos a fase da cristandade, das multidões gloriosas. É hora de aprofundamento da fé lúcida e viva. Precisamos de católicos que conheçam os Evangelhos. Multidão aqui não leva a nada, se a fé não é significativa. Reconhecemos a realidade de hoje e temos de partir para uma purificação da fé.Não é mais momento de ficarmos cobrando a participação de missas aos domingos, participação nos diversos ministérios leigos nas comunidades. Chega de ficar esmolando o dízimo de quem não sabe das necessidades e projetos da sua comunidade. Participa quem entende. Devíamos exigir muito mais, aliás nem precisaria exigir, de quem está consciente e sabe o que deve fazer e como fazer. São quinhentos anos de evangelização nesse Brasil para conseguir produzir milhares de católicos de fachada, sem convicção e sem compromisso com sua fé.Esses que se assustam ao falarmos desse modo freqüentam outras Igrejas e vêem o nível de exigência delas e os milagres do dízimo. Perguntamos por que os católicos têm de ser tão repulsivos com as coisas da comunidade? São freqüentadores de bingos, bares e clubes com alta mensalidade. Gastam muito com essas coisas; têm tempo de sobra para tudo, menos para a comunidade. Sabemos que em muitas comunidades a desgraça são os donos da igreja, que se promovem com os cargos que ocupam. Precisamos superar isso. Não queremos exigir nem mesmo na moral, queremos que cada um se conscientize. Já perdemos muito tempo e continuamos ainda a perder com gente que usa a comunidade quando precisa. Queremos mais definição, mais formação e mais autenticidade. Jesus falou mesmo de sal e fermento e basta pouco para influenciar a massa.Os cristãos do início do Caminho eram poucos e impressionavam. Hoje somos muitos e nem sequer nos identificamos como católicos, firmes na fé e ativos na comunidade. Não é hora de fechar as portas, mas de abrir para colocar para fora muito entulho.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO
Padre Libárdi, que artigo feliz! Que artigo corajoso! Que artigo de quem realmente conhece os disígnios de Cristo!
ResponderExcluirDe fato há hipocrisia quando se fala que o Brasil é um dos países mais católicos do mundo, entretanto, "não praticantes".
Por outro lado o absurdo da conquista de mais cabeças, não almas, para a contribuição de um dízimo cujo conteúdo continua sempre discutido e não vivenciado!
Parabéns, meu bom padre, entendo que suas idéias estão totalmente dentro na missão do evangelho.
Antônio Ierárdi Neto