
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
O que nos pede uma “igreja da práxis libertadora”?
Num cenário bem latino-americano de grande concentração da pobreza, desde Medellín, a Igreja fez sua opção pelos pobres e para ser pobre como caminho evangélico de libertação. Esse eixo estrutura toda a ação da Igreja, suas expressões doutrinais, e dá uma nova leitura da Bíblia e da realidade.A introdução do pobre modifica e agiliza as estruturas da Igreja e as substitui pelas comunidades de base que são leves e ágeis. É uma Igreja que, por estar ao lado e com os oprimidos, procura estabelecer uma prática libertadora. Ela tem de responder aos questionamentos dos que não têm voz nem vez, apontando caminho de solução.Ao colocar a Bíblia nas mãos do povo, a Igreja procura lê-la na ótica dos pobres, ciente de que o projeto salvador de Deus acontece dentro da história concreta. Não tem receio de mostrar as causas e conseqüências de uma sociedade de opressão e exclusão.Com uma teologia assentada na realidade, vista pelo método “ver, julgar e agir”, a Igreja repensa todo o seu doutrinário, sua prática, e faz sempre uma nova leitura do projeto de Deus. Para uma sociedade em que o futuro prometido pela modernidade não tem futuro, a descrença no sistema mundial leva a acreditar na utopia, que é a exploração de novas possibilidades.De um lado vemos a exclusão produzida pelo neoliberalismo e os que vivem no lixo; do outro lado, os que manipulam os fluxos econômicos, formando o coração do sistema. Isso nos leva a pensar essa dialética de opressão e libertação como tarefa principal da teologia.Seu trabalho se viabiliza muito eficientemente através de uma rede de comunidades, onde é possível evangelizar, conscientizar num corpo a corpo, usando com alternância esse método e os movimentos de massa como expressão do grande corpo eclesial.Só uma teologia inculturada, que descobre em tudo as “sementes do Verbo”, permite expressar a fé através dos matizes de sua própria cultura e dos elementos reveladores da força do Espírito. Assim faz uma teologia, uma leitura bíblica, uma catequese, uma liturgia numa linha de encarnação na vida do povo. Esse processo criará sem dúvida novas formas de expressão na evangelização, inviabilizando e fazendo desaparecer o único catecismo.Ela faz a hora do protagonismo dos leigos e redimensiona a tarefa e a presença pastoral do padre.Hoje é necessário uma Igreja que dê respostas e oriente nas atuais transformações da sociedade. Uma Igreja servidora, que reconhece a dignidade da pessoa humana e transforma-se em voz e vez dos que não a têm. Anuncia e vive uma fé que liberta e produz os sinais do Reino.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO
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