PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Por que a Igreja muda tanto?
As mudanças no mundo de hoje se processam de uma maneira muito rápida. É o resultado da globalização da informação, do desenvolvimento das pesquisas, da facilidade da comunicação, dos estudos que geram uma nova compreensão do universo.A Igreja não é um organismo estático e não é uma seita nascida em determinada e para uma determinada época. É comunidade viva que vai se descobrindo, fazendo a experiência do Cristo vivo, ressuscitado, e vai lendo nos “sinais dos tempos” a linguagem de Deus que se revela na história. Como atualização de Jesus e mensageira do projeto de Deus da “Terra sem males”, ela precisa ser lida e mantida dentro do contexto cultural de cada época.À Igreja compete interpretar, traduzir, perceber as verdades da fé, dando uma melhor compreensão dentro do horizonte cultural atual. O conteúdo da fé será sempre transmitido numa linguagem multiforme, levando em conta a visão do tempo, o entendimento da simbologia, o contexto. Seu trabalho não é mudar, mas limpar, purificar, reexplicar, traduzir. A verdade é única, o modo de apresentar, a ótica, a linguagem sofrem influência dos cambiantes horizontes culturais no caminho da história. Sofrem também influências das pesquisas bíblico-teológicas.Aí estão as razões por que não se pode ser radical, conservador e se basear exclusivamente nos argumentos da autoridade. Essa autoridade também sofre influência da cultura e do contexto da época em que se vive, basta ver a Igreja na Idade Média. Há tantos ensinamentos da Igreja que hoje foram modificados e estão superados, embora alguns se esforcem para ressuscitá-los; outros tantos são relidos e reexplicados, reinterpretados dentro de novo contexto e de nova linguagem.O que nos assusta é que alguns católicos, que não estudam com sinceridade e abertura de mente, se apeguem a letras de certos livros e não percebam que a verdade tem muitas faces e pode ser focalizada sob outros ângulos. Se a pessoa está contente com uma explicação, pelo menos não radicalize e perceba inteligentemente que há outras possibilidades de leituras da mesma verdade.Aqui nem falemos daqueles que não estudam e ficam com o que ouviram. É uma esclerose religiosa que não permite perceber que esse barril de azedume e de exigências com que se apresentam a fé, não ajudam em nada e não convertem ninguém. É a insegurança em aceitar o novo ou a acomodação de quem não quer mais procurar. Gostaria de dizer a eles: “antes tarde que nunca”. Graças a Deus que alguém jogou um pouco de luz sobre nossa fé, às vezes mal orientada, mal explicitada, filha de uma ignorância quase invencível. Quem procura a verdade é feliz quando a vê com mais lucidez, mais convincente.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
EDITORA SANTUÁRIO
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