
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
De que lado está a Igreja?
Os próprios membros da Igreja deixam atrás de si a maior esteira de dúvidas e confusões na cabeça de muita gente. Por outro lado não se pode colocar a culpa nas pessoas de Igreja, porque essa massa confusa de povo não faz ou faz muito pouco esforço para conhecer e aprofundar sua fé.
Na Igreja há pessoas que priorizam o espiritual dizendo que não é função da Igreja tratar do social. Acentuam uma vivência até fora da realidade criando uma dissociação entre fé e vida. As cartas no Novo Testamento continuam nos lembrando de que a fé sem as obras é morta. E a realidade nos mostra pessoas muito piedosas com uma fé e piedade inoperantes. Não saem de seu mundo e não partilham nem lutam para mudar uma situação injusta. É o caso da fé sem compromisso, que na verdade não é fé.
Por outro lado, vemos também os radicais da teologia da libertação que exigem inserção sem limite e lutam a todo o custo, porque acham que têm de acontecer a justiça a qualquer preço e não existe fé sem compromisso político e social. Esquecem que nem todos conseguem dar os passos do tamanho do deles e que o Reino se instala conosco e apesar de nós.
Há um terceiro grupo que são os angustiados pelo poder na Igreja. E tentam estar no poder a qualquer preço, aí eles são os guardiões da fé e dos costumes. O bom senso e o senso de Deus ficam sempre por baixo de uma assinatura de um cardeal ou de uma autoridade qualquer.
No meio dos três grupos, circulam centenas e milhares de movimentos de Igreja, cada um chamando para si a aprovação de Jesus e a presença cativa do Espírito Santo. O espírito de corporação é grande e é a defesa que se impõe para se conservar em pé. Não é mais o Espírito Santo que guia, mas simplesmente aprova.
Daí a pergunta: De que lado está a Igreja? É dos ricos ou dos pobres? É da Lei ou do Espírito?
A Igreja proclama o Evangelho a todos; condena a riqueza e a pobreza; condena ricos e opressores; condena a violência opressora, a injustiça, o uso do supérfluo, a má distribuição dos bens, o desrespeito à pessoa humana. Fala de solidariedade como único caminho de salvação e de construção de uma nova sociedade humana e igualitária. Anuncia os valores da política, da ética, da moral.
A Igreja está de todos os lados desde que haja boa-vontade e procura sincera do bem. O que não podia acontecer são os radicalismos extremos, a intolerância fanática e o farisaísmo do cumprimento da Lei.
Precisamos deixar-nos conduzir pelo Espírito e não tentar conduzir o Espírito para onde queremos.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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EDITORA SANTUÁRIO
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