
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Qual é a minha Igreja?
É muito difícil dizer que a Igreja católica é minha Igreja, porque nela existem tantos modelos e cenários da mesma Igreja que ficamos sem saber o que falar. Há tantas diferenças que ficamos confusos. O que falar quando nos dizem que “ser Igreja é voltar-se para o social”, ou em vez da objetividade escolhermos a subjetividade de uma Igreja carismática?
Só uma análise de conjuntura pode-nos ajudar a percebermos a estrutura do corpo social da Igreja em determinados momentos. É uma análise que precisa ser feita mesmo que não tomemos posição a favor ou contra.
Uma análise se constrói pelos modelos. Fazemos a escolha de um eixo central e em torno dele organizamos os elementos mais importantes do corpo social. Aqui entram os interesses políticos, eclesiásticos etc... Através do instrumental que daí resulta, determinados bem os contornos, pode-se conhecer sua Igreja. Vamos perceber que nem tudo é culpa do Espírito Santo, como a história mostra-nos largamente; há também arbitrariedade e a relatividade. Cada um vê através das lentes que Ele coloca, vê através de um ponto.
Outro dado que ajuda é o cenário. É algo que não depende de escolha, ou de preferência, apenas se impõe. Podemos ver as circunstâncias e o comportamento das forças dominantes no interior do cenário. Cada cenário mostra as forças dominantes, a organização dos agentes. Nós vivemos dentro de um cenário.
É assim que podemos analisar a caminhada da Igreja desde Pentecostes até hoje. Como a Igreja tem configuração humana, ela não escapa das influências da época. Sabemos que o Espírito Santo orienta a Igreja, resta ver se os agentes são ou foram dóceis a Ele.
Quando percebemos os diversos modelos da Igreja, podemos optar por um deles não de um modo aleatório, mas de modo consciente para podermos ver o que há de bom em um modelo ou em outro. Não podemos ser ingênuos e não percebermos os elementos humanos agindo na Igreja ou mais ingênuos ainda querendo reduzir a Igreja a uma Igreja institucional. Seria bom que o Espírito Santo pudesse conduzir a Igreja.
Assim podemos perceber uma Igreja instituição, Igreja carismática, Igreja de pregação, Igreja de práxis libertadora, tudo dentro da Igreja católica. Precisamos de um novo Pentecostes ou precisamos aprender a viver a riqueza da Igreja na diversidade. É certo que não podemos ir nem tanto ao mar nem tanto à terra.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
EDITORA SANTUÁRIO
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