
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
O Pluralismo rompe a unidade da Igreja?
Sempre professamos nossa fé na Igreja Una e Santa, acreditando que a unidade não seja identificada com uniformidade. O erro de identificar com uniformidade é que trouxe exclusões no seio da Igreja e tantos problemas que mancham sua história.
A Igreja do início realizou-se de diversas maneiras, concretizou-se de acordo com as circunstâncias históricas e culturais.
Parece que outra confusão vem do modo de conceber a Igreja. Uma coisa é o modo de conceber a fé, a organização eclesial; outra coisa é a sua realização concreta. Devemos notar que a Igreja define-se a partir da vivência da fé, manifestada em modos concretos. Por isso que as concepções diferentes de Igreja não são mais do que tentativas de concretização dos determinados modos de concebê-la.
As constantes diferenças que apareceram nas primeiras comunidades mostram modelos diferentes de Igreja; no fundo aceitavam o pluralismo dentro da unidade que se fundamenta em Jesus.
O problema, que ainda hoje continua, é que quem está convencido de seu modo de conhecer e viver a Igreja acaba excluindo os outros, pois acha que seu modo é único e verdadeiro. E aqui nascem as atitudes, mas tudo em nome da fé.
Parece que não se trata do zelo pela unidade da Igreja, mas de um erro grosso de conceito ou da necessidade do poder. O pluralismo pode romper a unidade da Igreja, mas é muito mais certo que poderá romper o poder dentro da Igreja, principalmente daqueles que se arrogam o direito de estabelecer os limites do certo e do errado, gerando a exclusão e ferindo a liberdade. Não pode, por acaso, o Espírito suscitar o Reino e a Verdade do Reino em quem não pensa como nós?
A Igreja nunca foi uniforme em sua concepção e em sua concretização. Quantos erros a história nos aponta. Erros provenientes desse falso conceito dos vigilantes da ortodoxia. Pedir perdão agora será suficiente? Olhem os remendos em panos velhos.
Penso que já passamos da hora de vivermos uma Igreja, e caminharmos para uma Igreja de serviço. Como também está na hora de descermos das cátedras e caminharmos juntos com tantas Igrejas Irmãs tentando discernir juntos as diversas manifestações do Espírito que sopra onde quer.
As estruturas da Igreja também devem estar a serviço da comunidade eclesial. Nada resolve encastelar-se nas estruturas e conceitos teológicos, ainda mais aqueles em que o povo já não acredita. Não é que o povo perdeu a fé, o povo tem também o sentido de Deus.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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EDITORA SANTUÁRIO
Padre Libárdi, defendo exatamente sua tese...
ResponderExcluirEm 25 de maio passado, foi publicada neste BLOG uma mensagem de BENTO XVI sobre a questão dos semitas...ao que considerei, na ocasião, o LADO BOM DOS CREDOS...esse LADO precisa realmente ser respeitado e ainda, lembrando o nosso bom papa de hoje ao nos orientar sobre o fato de que temos até muito que aprender com os não católicos...
Antônio Ierárdi Neto
Também é importante salientar o artigo 013. dos Estatutos da Congregação quando diz:
ResponderExcluir" Os que sofrem as conseqüências da divisão da Igreja
Os confrades devem incentivar tudo o que pode contribuir para a união dos que crêem em Cristo. Isso vale para todos os Redentoristas, que exercem sua missão nesta nossa sociedade pluralista, mas de modo especial, para os que exercem especificamente funções ecumênicas.
Tal responsabilidade exige dos missionários sincera abnegação, humildade, mansidão no servir e uma fraterna abertura de espírito para com os outros. Será, pois, na medida em que procurarem levar uma vida mais pura, segundo o Evangelho, que mais contribuirão para a união dos cristãos."
Parabéns Pe. Libardi pelo artigo, coisa que muitos não se arriscam a tal...