
PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
O ecumenismo é um caminho possível ou uma utopia?
Estamos assistindo a uma virada na história da Igreja. O Concílio Vaticano II abriu o horizonte de onde se pode imaginar uma Igreja que se renova na sua doutrina, em sua estrutura e em seu testemunho. O Concílio Vaticano II mostrou que não é a unidade o caminho da expressão da verdade, mas essa aparece clara como vontade do Mestre também na diversidade.
Quantos pecados foram cometidos em nome da unidade e para preservar a sã doutrina. A história, mestra da vida, continua mostrando as chagas da Igreja e muitos não conseguem ler essas mensagens e continuam querendo a subserviência, a submissão e um conformismo incontestáveis.
Assim é que podemos ver com certo descrédito o projeto do Ecumenismo. Parece que não se fala a mesma linguagem. “Se, no diálogo ecumênico oficial, só forem apresentadas as concepções do Magistério papal, não respeitadas as amplas divergências teológicas existentes na vida global da Igreja, toda a iniciativa estará condenada ao fracasso” (Bernard Häring, “Minhas esperanças para a Igreja”, p. 121. Editora Santuário, Aparecida-SP).
O Ecumenismo caracteriza-se pelo diálogo intereclesial. A Igreja põe tudo em aberto, sem ter medo de deturpar o tão cantado “depositum fidei” ou o medo de perder o direito de se entender como a única depositária da verdade. Por que não admitir que haja manifestação do Espírito também na diversidade?
Ecumenismo para impor nossas idéias e crenças é a forma mais velada de fazer proselitismo. Hoje há necessidade do diálogo com as Igrejas Irmãs para uma nova leitura dos Evangelhos. Hoje há necessidade do diálogo com as diversas culturas, pois elas podem trazer em seu seio “as sementes da Palavra”, expressões da verdade de Deus. Há necessidade do diálogo para verificar o consenso entre os irmãos.
Como conseguir dialogar se os interlocutores não se colocam no mesmo nível e não se abrem para conferir as expressões de Deus geradas na diversidade de culturas e crenças?
Na volta que estamos fazendo à antiga disciplina, não será o Ecumenismo um discurso vazio? Como dialogar sem se abrir ao consenso dentro da própria Igreja? Como dialogar com uma Igreja que se ampara no legalismo das definições desconhecendo as mudanças dos tempos? Bem dizia um pastor latino-americano que o Ecumenismo é o maior disfarce que a Igreja inventou para fazer proselitismo.
Ao apresentar-se como Igreja Servidora, Ela teria condições de fazer uma caminhada descobrindo e aceitando valores das diversas Igrejas irmãs e de pessoas sinceras que amam a Deus em espírito e verdade.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R
http://www.redemptor.com.br
EDITORA SANTUÁRIO
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