PADRE HÉLIO DE PESSATO LIBÁRDI CSsR
Cristãos na política: um direito ou ingerência?
Talvez o ranço histórico de uma Igreja no poder e de uma Igreja atrelada ao Estado seja o que prevaleça e provoque um arrepio em muita gente, quando falamos de política em nossas celebrações.
Há muitos que preferem uma Igreja espiritualista e ausente da vida do povo e dizem mesmo: “Não vim aqui para ouvir falar de política”. Não se pode crer em má vontade dessas pessoas, mas sim ao desconhecimento da verdadeira missão da Igreja, “Mãe e Mestra”. Ela tem o dever de evangelizar apontando valores para a construção de uma nova sociedade.
Enquanto política for “a procura dos meios adequados e de valores para a organização da vida em comunidade”, a Igreja, como sacramento de Jesus, tem o direito e o dever de alertar para os valores evangélicos, como fundamentais em relação à dignidade da pessoa. Basta ler na vida de Jesus as diversas posições que tomaram os fariseus, doutores da Lei e o povo pobre face às investidas políticas dos discursos de Jesus. Desconhecer a atitude política de Jesus é reduzi-lo a um homem piedoso. É desconhecer a virada da história que esses discursos provocaram e continuam provocando. Jesus não veio satisfazer a piedade pessoal de cada um.
As situações do tempo de Jesus repetem-se hoje e provocam as mesmas atitudes em tantas pessoas que contestam a Igreja em nome de Deus e querem prendê-la entre as paredes da sacristia.
Não queremos cristãos participando de politicagem, como Jesus não recomendou aos seus discípulos a comunhão com a politicagem praticada pelos fariseus, verdadeiros donos do poder. Jesus porém não deixou de apontar caminhos, princípios, valores para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Nós queremos cristãos participando da política, ajudando nas instâncias dos diversos poderes e órgãos competentes no país. Não podemos aceitar a omissão dos que são capacitados e se ausentam da política por causa da face depreciativa que ela hoje apresenta.
Sabemos o preço que devemos pagar por tirarmos dos Evangelhos palavras que vão certamente incomodar aqueles que se assentam como juízes deste mundo determinando o sucateamento de nosso país.
Sabemos o preço que devemos pagar por não entrarmos na ciranda que corrompe as pessoas e que leva as pessoas a se beneficiarem das posições que ocupam.
Essa exigência de que a Igreja se cale tem raiz na verdade já comprovada: “É a Igreja que tem credibilidade junto ao povo”. Ela é a voz do povo martirizado, enganado por aqueles que se proclamaram paladinos e donos do poder.
Nós cremos na força do Reino de Deus que está presente no meio de nós, ainda que não em sua plenitude.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
http://www.redemptor.com.br
EDITORA SANTUÁRIO
Cristãos na política: um direito ou ingerência?
Talvez o ranço histórico de uma Igreja no poder e de uma Igreja atrelada ao Estado seja o que prevaleça e provoque um arrepio em muita gente, quando falamos de política em nossas celebrações.
Há muitos que preferem uma Igreja espiritualista e ausente da vida do povo e dizem mesmo: “Não vim aqui para ouvir falar de política”. Não se pode crer em má vontade dessas pessoas, mas sim ao desconhecimento da verdadeira missão da Igreja, “Mãe e Mestra”. Ela tem o dever de evangelizar apontando valores para a construção de uma nova sociedade.
Enquanto política for “a procura dos meios adequados e de valores para a organização da vida em comunidade”, a Igreja, como sacramento de Jesus, tem o direito e o dever de alertar para os valores evangélicos, como fundamentais em relação à dignidade da pessoa. Basta ler na vida de Jesus as diversas posições que tomaram os fariseus, doutores da Lei e o povo pobre face às investidas políticas dos discursos de Jesus. Desconhecer a atitude política de Jesus é reduzi-lo a um homem piedoso. É desconhecer a virada da história que esses discursos provocaram e continuam provocando. Jesus não veio satisfazer a piedade pessoal de cada um.
As situações do tempo de Jesus repetem-se hoje e provocam as mesmas atitudes em tantas pessoas que contestam a Igreja em nome de Deus e querem prendê-la entre as paredes da sacristia.
Não queremos cristãos participando de politicagem, como Jesus não recomendou aos seus discípulos a comunhão com a politicagem praticada pelos fariseus, verdadeiros donos do poder. Jesus porém não deixou de apontar caminhos, princípios, valores para a construção de uma sociedade mais justa e fraterna.
Nós queremos cristãos participando da política, ajudando nas instâncias dos diversos poderes e órgãos competentes no país. Não podemos aceitar a omissão dos que são capacitados e se ausentam da política por causa da face depreciativa que ela hoje apresenta.
Sabemos o preço que devemos pagar por tirarmos dos Evangelhos palavras que vão certamente incomodar aqueles que se assentam como juízes deste mundo determinando o sucateamento de nosso país.
Sabemos o preço que devemos pagar por não entrarmos na ciranda que corrompe as pessoas e que leva as pessoas a se beneficiarem das posições que ocupam.
Essa exigência de que a Igreja se cale tem raiz na verdade já comprovada: “É a Igreja que tem credibilidade junto ao povo”. Ela é a voz do povo martirizado, enganado por aqueles que se proclamaram paladinos e donos do poder.
Nós cremos na força do Reino de Deus que está presente no meio de nós, ainda que não em sua plenitude.
Pe. Hélio Libardi, C.Ss.R.
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