CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!

ATUALIZAÇÃO



Em breve atualizaremos essa página.
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Agradecidos
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4 de janeiro de 2015

A Palavra de Deus na vida - Homilia

Epifania do Senhor – Ano B

Evangelho: Mateus 2,1-12

1Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,
2 perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.”
3 Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém.
4 Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava-lhes onde o Messias deveria nascer.
5 Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta:
6 E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo.”
7 Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido.
8 Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo.”
9 Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino.
10 Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande.
11 Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.

JOSÉ ANTONIO PAGOLA
A QUEM ADORAMOS

Os magos vêm do "Oriente", um lugar que evoca nos judeus a pátria da astrologia e de outras ciências estranhas. São pagãos. Não conhecem as Escrituras Sagradas de Israel, porém a linguagem das estrelas. Buscam a verdade e se põem em marcha para descobri-la. Deixam-se guiar pelo mistério, sentem necessidade de "adorar".

A presença deles provoca um sobressalto em toda Jerusalém. Os magos viram brilhar uma estrela nova que lhes fez pensar que havia nascido "o rei dos judeus" e vêm para "adorá-lo". Este rei não é Augusto. Tampouco, Herodes.

Onde está? Esta é a pergunta deles e Herodes se "perturba". A notícia não lhe produz nenhuma alegria. Ele é quem foi designado por Roma como "rei dos judeus". Ele tem de acabar com o recém-nascido: onde está esse rival estranho? Os "sumos sacerdotes e letrados" conhecem as Escrituras e sabem que deve nascer em Belém, porém não se interessam pelo menino nem se colocam em marcha para adorá-lo.

Isto é o que encontrará Jesus ao longo de sua vida: hostilidade e rejeição nos representantes do poder político; indiferença e resistência nos dirigentes religiosos. Somente aqueles que buscam o reino de Deus e a sua justiça o acolherão.

Os magos prosseguem sua grande busca. Às vezes, a estrela que os guia desaparece, deixando-os na incerteza. Outras vezes, brilha novamente enchendo-os de "imensa alegria". Finalmente, encontram-se com o Menino, e "caindo de joelhos o adoram". Depois, colocam ao seu serviço as riquezas que têm e os tesouros mais valiosos que possuem. Este Menino pode contar com eles, pois o reconhecem como seu Rei e Senhor.

Em sua aparente ingenuidade, este relato nos põe perguntas decisivas:

·        Diante de quem nos ajoelhamos?
·        Como se chama o "deus" que adoramos no fundo de nosso ser?
·        Falamos que somos cristãos, porém vivemos adorando o Menino de Belém?
·        Colocamos aos seus pés nossas riquezas e nosso bem-estar?
·        Estamos dispostos a escutar seu chamado para entrar no Reino de Deus e sua justiça?

Em nossa vida, sempre há alguma estrela que nos guia para Belém.

MATAR OU ADORAR

Herodes e sua corte de Jerusalém representam o mundo dos poderosos. Tudo vale, neste mundo, a fim de assegurar o próprio poder: o cálculo, a estratégia e a mentira. Vale, inclusive, a crueldade, o terror, o desprezo ao ser humano e a destruição dos inocentes. É um mundo que conhecemos bem, pois respiramos sua atmosfera até a náusea. Parece um mundo grande e poderoso, se nos apresenta como defensor da ordem e da justiça, porém é fraco e mesquinho, pois termina sempre buscando o menino “para matá-lo”.

Segundo o relato de Mateus, uns magos vindos do Oriente irrompem neste mundo de trevas. Alguns estudiosos da Bíblia interpretam, atualmente, a legenda evangélica lançando mão da psicologia do profundo:

·        Os magos representam o caminho que seguem aqueles que escutam os anseios mais nobres do coração humano;
·        a estrela que os guia é a saudade do divino;
·        o caminho que percorrem é o desejo.
Para descobrir o divino no humano, para adorar o menino em vez de buscar a sua morte, para reconhecer a dignidade do ser humano ao invés de destruí-la, deve-se percorrer um caminho muito diferente daquele que segue Herodes.

Não é um caminho fácil. Não basta escutar o apelo do coração; deve-se colocar-se em marcha, expor-se, correr riscos. O gesto final dos magos é sublime. Não matam o menino, mas o adoram. Inclinam-se, respeitosamente, diante de sua dignidade; veem resplandecer nele a estrela de Deus; descobrem o divino no humano. É a mensagem central do Filho de Deus encarnado no menino de Belém.

Podemos vislumbrar, também, o significado simbólico dos presentes que oferecem:

·        Com o ouro reconhecem a dignidade e o valor inestimável do ser humano; tudo deve ficar subordinado à sua felicidade. Uma criança merece que se ponham a seus pés todas as riquezas do mundo.
·        O incenso recolhe o desejo de que a vida da criança se desapegue e sua dignidade se eleve até o céu. Todo ser humano é chamado a participar da vida mesma de Deus.
·        A mirra é remédio para curar a enfermidade e aliviar o sofrimento. O ser humano necessita de cuidados e consolo, não de violência e agressão.

Com sua atenção ao fraco e sua ternura para com o humilhado, este Menino introduzirá no mundo a magia do amor, única força de salvação, que até hoje faz tremer o poderoso Herodes.

Traduzido do espanhol por Telmo José Amaral de Figueiredo.

Fonte: Sopelako San Pedro Apostol Parrokia – Sopelan – Bizkaia (Espanha) – J. A. Pagola – Ciclo B [Homilías]

Vivências - De perto @ De loge

Nº 1650  -  04/01/2015

6934. Evangelho de domingo - Solenidade da Epifania do Senhor (04-01-2015) - Is 60, 1-6; Sl 71; Ef 3, 23a.5-6; Mt 2, 1-12 - Jesus tinha nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes. Vieram, então, alguns magos do Oriente. Chegaram a Jerusalém, perguntando: - Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e vimos para o adorar. O rei Herodes ficou perturbado quando soube disso. E com ele ficou agitada toda Jerusalém. Herodes reuniu, então, todos os chefes de sacerdotes e escribas do povo para perguntar-lhes onde o Messias deveria nascer. Eles lhe disseram: - Deverá nascer em Belém da Judéia. Pois o profeta escreveu assim: “E tu, Belém, terra de Judá, tu não és de maneira alguma a menor entre as cidades de Judá. Isso porque de ti sairá um chefe que será o pastor de Israel, meu povo”. Herodes chamou os magos, em segredo. Fez com que eles dissessem exatamente quando a estrela tinha aparecido. Mandou que eles fossem para Belém e recomendou: - Informem-se perfeitamente a respeito do menino. Quando o tiverem encontrado, mandem-me avisar. Assim também eu poderei ir adorar o menino. Depois de ouvir essas palavras do rei, os magos partiram. A estrela, que tinham visto no Oriente, ia caminhando na frente deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Quando viram a estrela, sentiram uma grande alegria. Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. E, caindo de joelhos, o adoraram. Depois, abriram seus tesouros e lhe deram de presente ouro, incenso e mirra. Eles foram avisados em sonho para não se encontrarem novamente com Herodes. Por isso, tomaram outro caminho ao voltarem para sua terra.
 
Recadinho: - Dê alguma exemplo de como Deus se manifesta em sua vida. - Enumere alguns presentes que você oferece a Deus. - Você espera que as graças de Deus venham ou se movimenta em sua busca? - Você reza pedindo que Deus lhe manifeste seus desejos a seu respeito? - Sua vida manifesta a bondade de Deus?
 
6935. Maria acolhe o momento em que Jesus passa em sua vida - “Segundo a vontade de Jesus, Maria se tornaria a mãe de seu Filho unigênito: “Conceberás, darás  luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus”. Pensando nesta jovem simples de Nazaré, colhemos dois aspectos essenciais de sua atitude, que são para nós modelos para vivermos o Natal. Antes de tudo, a sua fé, que consiste em escutar a Palavra de Deus e entregar-se a esta palavra com total disponibilidade de mente e de coração. Maria respondeu “sim” sem saber os caminhos que deveria percorrer, as dores que sofreria, os riscos que enfrentaria, mas estava consciente que era o Senhor que lhe pedia. Ela confia totalmente Nele e se abandona a seu amor. Um outro aspecto a ser meditado é a capacidade da Mãe de Cristo de reconhecer o tempo de Deus: “Maria é aquela que tornou possível a encarnação do Filho de Deus, a revelação do mistério, guardado em segredo durante séculos”, como escreve o apóstolo Paulo. Maria nos ensina a acolher o momento favorável em que Jesus passa em nossa vida e nos pede uma resposta rápida e generosa. Como Maria, cada um de nós é chamado a responder com um “sim” pessoal e sincero ao chamado, colocando-se plenamente à disposição de Deus e de sua misericórdia”. (Papa Francisco, 21/dezembro/2014)
 
6936. A Fuga para o Egito - “A Fuga para o Egito, por causa das ameaças de Herodes, nos mostra que Deus se encontra onde o homem corre risco, onde o homem sofre, onde é fugitivo, onde experimenta a rejeição e o abandono; mas é também o lugar onde o homem sonha, espera de voltar à sua terra natal, em liberdade, faz projetos e escolhas para a sua vida e a sua dignidade e a dos seus familiares”. (Papa Francisco, 29/dezembro/2013)
 
6937. O tempo que Deus nos dá - “A visão bíblica e cristã do tempo e da história não é cíclica, mas linear. Trata-se de um caminho que leva a uma realização. Um ano que passa, não nos leva a uma realidade que acaba, mas a uma realidade que se realiza; é um passo a mais à meta que está diante de nós: meta de esperança e de felicidade por encontrar-nos com Deus, razão da nossa esperança e fonte da nossa alegria. Durante o ano colhemos, como em uma cesta, os dias, as semanas, os meses que vivemos para oferecer tudo ao Senhor. E poderíamos perguntar-nos: como vivemos o tempo que Ele nos deu? Nós o utilizamos só para nós mesmos, para os nossos interesses ou o empregamos também para os outros? Quanto tempo empregamos para Deus, para estarmos com ele, na oração, no silêncio, na adoração?” (Papa Francisco, 31/dezembro/2013)
 
Pe. Geraldo Rodrigues, CSsR

Reflexão do dia

A reflexão seguinte supõe que você
antes leu o texto evangélico indicado

 4 ‒ Domingo ‒ Epifania do Senhor ‒ Santos: Ângela de Foligno, Caio

Evangelho (Mt 2,1-12) "...eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, perguntando: "Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer?"

Estamos acostumados a ver nos presépios a figura dos três reis, em suas ricas vestes orientais. Mateus conta que alguns magos (não diz quantos) vieram procurar o Messias que tinha nascido. Não sabemos quem eram eles, se sacerdotes, sábios orientais, ou algo semelhante. O certo é que mexem com nossa fantasia. O importante, porém, é o sentido que o evangelista dá a essa extraordinária visita. Primeiro quer afirmar que o Menino de Maria é o grande rei esperado, o Messias (rei ungido). Depois, quer anunciar que o Salvador não veio apenas para os hebreus, mas para todos os povos de todos os tempos. Porque não eram só os hebreus que esperavam um Salvador: todos os homens, de um jeito ou de outro, todos esperam uma salvação.

Oração

Senhor Jesus, demorou muito para eu ver os magos do presépio como meus representantes. Eles foram convidados para encontrar Jesus, mesmo não sendo membros do povo escolhido. Eu também não sou filho dos hebreus. Se eu for subindo na lista de meus antepassados, não sei onde vou acabar, mas tenho certeza que acabarei chegando a pagãos convertidos ao cristianismo. Isso, Jesus, leva-me hoje a vos agradecer porque bondosamente chamastes com a fé aqueles antigos de minha família. Agradeço o cuidado com que os fostes formando através de séculos, para que hoje eu tivesse um ambiente familiar que me facilitasse ser vosso discípulo. Lembrando os magos, peço que nos ajudeis a preparar a vida daqueles que virão depois de nós. Amém.

Pe. Flávio Cavalca de Castro, Redentorista
flcastro@redemptor.com.br

Aniversariantes do dia

 
 
ALCIDES SOARES MAIA
 
ANTÔNIO JOSÉ RODOLFO VIEIRA DA SILVA
 
JOSÉ REIS DE CARVALHO
 
 
PADRE JOSÉ GABRIEL MARIANO
Comunidade do Santuário Nacional de Aparecida
Festejando 52 anos de idade
 
PADRE VIRGÍNEO DE CARLI
Comunidade do Santuário Nacional de Aparecida
Festejando 87 anos de idade
 
PADRE ELMAR LENHARD
Província de Porto Alegre
Festejando 64 anos de idade
 
 
 
 
 
 


2 de janeiro de 2015

Mensagem do Papa Francisco para 2015 - 450 anos do Rio de Janeiro

 

Depoimento Vocacional



Vivências - De perto @ De longe

Nº 1648  -  02/01/2015

6925. Evangelho de 6ª feira (02-01-2015) - Ss. Basílio Magno e Gregório Nazianzeno - 1Jo 2, 22-28; Sl 97; Jo 1, 19-28 - Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para perguntar: “Quem és tu?” João confessou e não negou. Confessou: “Eu não sou o Messias”. Eles perguntaram: “Quem és, então? És Elias?” João respondeu: “Não sou”. Eles perguntaram: “És o Profeta?” Ele respondeu: “Não”. Perguntaram então: “Quem és, afinal? Temos de levar uma resposta àqueles que nos enviaram. Que dizes de ti mesmo?” João declarou: “Eu sou a voz que grita no deserto: “Aplainai o caminho do Senhor” - conforme disse o profeta Isaías. Ora, os que tinham sido enviados pertenciam aos fariseus e perguntaram: “Por que então andas batizando, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?” João respondeu: “Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis, e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias”. Isso aconteceu em Betânia além do Jordão, onde João estava batizando. 
 
Recadinho: - Cumprimos nossos deveres com amor ou apenas por cumprir? - Nosso testemunho de vida colabora para a fé de nossos irmãos? - Fazemos nossa parte para que haja menos injustiça no mundo? - Surgem às vezes casos de injustiças em sua comunidade? - Qual deveria ser nossa primeira atitude diante do testemunho negativo de alguém da comunidade?
 
6926. Papa recebeu uma Comunidade muito especial - No dia 20 de dezembro de 2014, o Papa Francisco recebeu, na Sala Paulo VI, cerca de 7.500 pessoas da Associação “Comunidade Papa João XXIII”. No início, houve uma coreografia sugestiva, com vídeos, cantos e testemunhos de um toxicômano, de uma ex-vítima da prostituição feminina e de uma família de ciganos. Em sua mensagem, o Papa se referiu aos testemunhos apresentados, que falam de escravidão e libertação, do egoísmo dos que pensam de construir um futuro explorando os outros e a generosidade dos que ajudam o próximo a sair da degradação material e moral. Disse o Papa: “Estas são experiências que põem em evidência as tantas formas de pobreza existentes em nosso mundo; revelam a miséria mais perigosa, que é causa de todas as demais: a distância de Deus e a presunção de poder fazer a menos dele. Esta é uma miséria cega que busca apenas a riqueza, o poder e a exploração dos outros”.
 
6927. Comunidades Papa João XXIII - A Associação “Comunidade Papa João XXIII” foi fundada por P. Oreste Benzi e nasceu da sua experiência pessoal da mensagem cristã, envolvendo adolescentes e desejosos de conhecer Jesus, organizando para eles um “encontro simpático com Cristo”, herói e amigo. Esta Comunidade está presente hoje em 34 países, com as suas casas-famílias, as cooperativas sociais e educativas, as Casas de Oração, os serviços prestados para maternidades problemáticas e outras iniciativas. Papa Francisco concluiu o encontro citando uma frase que Padre Benzi gostava de repetir: “Para estar em pé, é preciso ajoelhar-se!”
 
6928. A presença do Senhor faz a diferença - “É a presença do Senhor que faz a diferença entre a liberdade do bem e a escravidão do mal; que nos coloca em condições de fazer boas obras e de ter alegria íntima, capaz de irradiar-se entre os mais próximos. A presença do Senhor amplia os horizontes, guia os pensamentos e as emoções, e dá a força necessária para vencer as dificuldades e as provações!” (Papa Francisco, 20/dezembro/2014)
 
6929. Façam teologia de joelhos - “Muitos podem conhecer a ciência, a teologia também, muitos! Mas se não fazem essa teologia de joelhos, isto é humildemente, como pequeninos, não vão entender nada. Vão nos dizer muitas coisas, mas não vão entender nada. Somente esta pobreza é capaz de receber a Revelação que o Pai dá através de Jesus, por meio de Jesus. Jesus vem, não como um capitão, um general de exército, um governante poderoso, não, não. Vem como um broto. Foi que o ouvimos na leitura de Is 11, 1-10: “Naquele dia, um rebento brotará do tronco de Jessé!” Ele é um broto: é humilde, é manso, e veio para os humildes, para os mansos, para trazer a salvação aos doentes, aos pobres, aos oprimidos”. (Papa Francisco, 02/dezembro/2014)
 
Pe.Geraldo Rodrigues, CSsR

1 de janeiro de 2015

Solenidade da Santa Mãe de Deus, Maria!

 
Maria tinha diante de si as palavras do anjo, as palavras de Isabel e, agora, a presença amorosa dos pastores, que lhe falavam ao coração.
Maria em tudo podia meditar e comparar, adorando em tudo os desígnios de Deus.
Suas atitudes eram de modéstia e discreto silêncio, apesar das coisas maravilhosas que podiam glorificá-la.
Maria recolhia tudo para, no momento oportuno, dar seu testemunho.
 


JÁ NÃO ESCRAVOS, MAS IRMÃOS

MENSAGEM DO SANTO PADRE
FRANCISCO
PARA A CELEBRAÇÃO DO 
XLVIII DIA MUNDIAL DA PAZ


1º DE JANEIRO DE 2015


JÁ NÃO ESCRAVOS, MAS IRMÃOS


1. No início dum novo ano, que acolhemos como uma graça e um dom de Deus para a humanidade, desejo dirigir, a cada homem e mulher, bem como a todos os povos e nações do mundo, aos chefes de Estado e de Governo e aos responsáveis das várias religiões, os meus ardentes votos de paz, que acompanho com a minha oração a fim de que cessem as guerras, os conflitos e os inúmeros sofrimentos provocados quer pela mão do homem quer por velhas e novas epidemias e pelos efeitos devastadores das calamidades naturais. Rezo de modo particular para que, respondendo à nossa vocação comum de colaborar com Deus e com todas as pessoas de boa vontade para a promoção da concórdia e da paz no mundo, saibamos resistir à tentação de nos comportarmos de forma não digna da nossa humanidade.


Já, na minha mensagem para o 1º de Janeiro passado, fazia notar que «o anseio duma vida plena (…) contém uma aspiração irreprimível de fraternidade, impelindo à comunhão com os outros, em quem não encontramos inimigos ou concorrentes, mas irmãos que devemos acolher e abraçar».[1] Sendo o homem um ser relacional, destinado a realizar-se no contexto de relações interpessoais inspiradas pela justiça e a caridade, é fundamental para o seu desenvolvimento que sejam reconhecidas e respeitadas a sua dignidade, liberdade e autonomia. Infelizmente, o flagelo generalizado da exploração do homem pelo homem fere gravemente a vida de comunhão e a vocação a tecer relações interpessoais marcadas pelo respeito, a justiça e a caridade. Tal fenômeno abominável, que leva a espezinhar os direitos fundamentais do outro e a aniquilar a sua liberdade e dignidade, assume múltiplas formas sobre as quais desejo deter-me, brevemente, para que, à luz da Palavra de Deus, possamos considerar todos os homens, «já não escravos, mas irmãos».


À escuta do projeto de Deus para a humanidade


2. O tema, que escolhi para esta mensagem, inspira-se na Carta de São Paulo a Filêmon; nela, o Apóstolo pede ao seu colaborador para acolher Onésimo, que antes era escravo do próprio Filêmon mas agora tornou-se cristão, merecendo por isso mesmo, segundo Paulo, ser considerado um irmão. Escreve o Apóstolo dos gentios: «Ele foi afastado por breve tempo, a fim de que o recebas para sempre, não já como escravo, mas muito mais do que um escravo, como irmão querido» (Flm 15-16). Tornando-se cristão, Onésimo passou a ser irmão de Filêmon. Deste modo, a conversão a Cristo, o início duma vida de discipulado em Cristo constitui um novo nascimento (cf. 2 Cor 5, 17; 1 Ped 1, 3), que regenera a fraternidade como vínculo fundante da vida familiar e alicerce da vida social.


Lemos, no livro do Gênesis (cf. 1, 27-28), que Deus criou o ser humano como homem e mulher e abençoou-os para que crescessem e se multiplicassem: a Adão e Eva, fê-los pais, que, no cumprimento da bênção de Deus para ser fecundos e multiplicar-se, geraram a primeira fraternidade: a de Caim e Abel. Saídos do mesmo ventre, Caim e Abel são irmãos e, por isso, têm a mesma origem, natureza e dignidade de seus pais, criados à imagem e semelhança de Deus.


Mas, apesar de os irmãos estarem ligados por nascimento e possuírem a mesma natureza e a mesma dignidade, a fraternidade exprime também a multiplicidade e a diferença que existe entre eles. Por conseguinte, como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de relações fundamentais para a construção da família humana criada por Deus.


Infelizmente, entre a primeira criação narrada no livro do Gênesis e o novo nascimento em Cristo – que torna, os crentes, irmãos e irmãs do «primogénito de muitos irmãos» (Rom 8, 29) –, existe a realidade negativa do pecado, que interrompe tantas vezes a nossa fraternidade de criaturas e deforma continuamente a beleza e nobreza de sermos irmãos e irmãs da mesma família humana. Caim não só não suporta o seu irmão Abel, mas mata-o por inveja, cometendo o primeiro fratricídio. «O assassinato de Abel por Caim atesta, tragicamente, a rejeição radical da vocação a ser irmãos. A sua história (cf. Gen 4, 1-16) põe em evidência o difícil dever, a que todos os homens são chamados, de viver juntos, cuidando uns dos outros».[2]


Também na história da família de Noé e seus filhos (cf. Gen 9, 18-27), é a falta de piedade de Cam para com seu pai, Noé, que impele este a amaldiçoar o filho irreverente e a abençoar os outros que o tinham honrado, dando assim lugar a uma desigualdade entre irmãos nascidos do mesmo ventre.


Na narração das origens da família humana, o pecado de afastamento de Deus, da figura do pai e do irmão torna-se uma expressão da recusa da comunhão e traduz-se na cultura da servidão (cf. Gen 9, 25-27), com as consequências daí resultantes que se prolongam de geração em geração: rejeição do outro, maus-tratos às pessoas, violação da dignidade e dos direitos fundamentais, institucionalização de desigualdades. Daqui se vê a necessidade duma conversão contínua à Aliança levada à perfeição pela oblação de Cristo na cruz, confiantes de que, «onde abundou o pecado, superabundou a graça (…) por Jesus Cristo» (Rom 5, 20.21). Ele, o Filho amado (cf. Mt 3, 17), veio para revelar o amor do Pai pela humanidade. Todo aquele que escuta o Evangelho e acolhe o seu apelo à conversão, torna-se, para Jesus, «irmão, irmã e mãe» (Mt 12, 50) e, consequentemente, filho adotivo de seu Pai (cf. Ef 1, 5).


No entanto, os seres humanos não se tornam cristãos, filhos do Pai e irmãos em Cristo por imposição divina, isto é, sem o exercício da liberdade pessoal, sem se converterem livremente a Cristo. Ser filho de Deus requer que primeiro se abrace o imperativo da conversão: «Convertei-vos – dizia Pedro no dia de Pentecostes – e peça cada um o baptismo em nome de Jesus Cristo, para a remissão dos seus pecados; recebereis, então, o dom do Espírito Santo» (Act 2, 38). Todos aqueles que responderam com a fé e a vida àquela pregação de Pedro, entraram na fraternidade da primeira comunidade cristã (cf. 1 Ped 2, 17; Act 1, 15.16; 6, 3; 15, 23): judeus e gregos, escravos e homens livres (cf. 1 Cor 12, 13; Gal 3, 28), cuja diversidade de origem e estado social não diminui a dignidade de cada um, nem exclui ninguém do povo de Deus. Por isso, a comunidade cristã é o lugar da comunhão vivida no amor entre os irmãos (cf. Rom 12, 10; 1 Tes 4, 9; Heb 13, 1; 1 Ped 1, 22; 2 Ped 1, 7).


Tudo isto prova como a Boa Nova de Jesus Cristo – por meio de Quem Deus «renova todas as coisas» (Ap 21, 5)[3] – é capaz de redimir também as relações entre os homens, incluindo a relação entre um escravo e o seu senhor, pondo em evidência aquilo que ambos têm em comum: a filiação adoptiva e o vínculo de fraternidade em Cristo. O próprio Jesus disse aos seus discípulos: «Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai» (Jo 15, 15).


As múltiplas faces da escravatura, ontem e hoje


3. Desde tempos imemoriais, as diferentes sociedades humanas conhecem o fenômeno da sujeição do homem pelo homem. Houve períodos na história da humanidade em que a instituição da escravatura era geralmente admitida e regulamentada pelo direito. Este estabelecia quem nascia livre e quem, pelo contrário, nascia escravo, bem como as condições em que a pessoa, nascida livre, podia perder a sua liberdade ou recuperá-la. Por outras palavras, o próprio direito admitia que algumas pessoas podiam ou deviam ser consideradas propriedade de outra pessoa, a qual podia dispor livremente delas; o escravo podia ser vendido e comprado, cedido e adquirido como se fosse uma mercadoria qualquer.


Hoje, na sequência duma evolução positiva da consciência da humanidade, a escravatura – delito de lesa humanidade[4] – foi formalmente abolida no mundo. O direito de cada pessoa não ser mantida em estado de escravidão ou servidão foi reconhecido, no direito internacional, como norma inderrogável.


Mas, apesar de a comunidade internacional ter adoptado numerosos acordos para pôr termo à escravatura em todas as suas formas e ter lançado diversas estratégias para combater este fenômeno, ainda hoje milhões de pessoas – crianças, homens e mulheres de todas as idades – são privadas da liberdade e constrangidas a viver em condições semelhantes às da escravatura.


Penso em tantos trabalhadores e trabalhadoras, mesmo menores, escravizados nos mais diversos sectores, a nível formal e informal, desde o trabalho doméstico ao trabalho agrícola, da indústria manufatureira à mineração, tanto nos países onde a legislação do trabalho não está conforme às normas e padrões mínimos internacionais, como – ainda que ilegalmente – naqueles cuja legislação protege o trabalhador.


Penso também nas condições de vida de muitos migrantes que, ao longo do seu trajeto dramático, padecem a fome, são privados da liberdade, despojados dos seus bens ou abusados física e sexualmente. Penso em tantos deles que, chegados ao destino depois duma viagem duríssima e dominada pelo medo e a insegurança, ficam detidos em condições às vezes desumanas. Penso em tantos deles que diversas circunstâncias sociais, políticas e económicas impelem a passar à clandestinidade, e naqueles que, para permanecer na legalidade, aceitam viver e trabalhar em condições indignas, especialmente quando as legislações nacionais criam ou permitem uma dependência estrutural do trabalhador migrante em relação ao dador de trabalho como, por exemplo, condicionando a legalidade da estadia ao contrato de trabalho... Sim! Penso no «trabalho escravo».


Penso nas pessoas obrigadas a prostituírem-se, entre as quais se contam muitos menores, e nas escravas e escravos sexuais; nas mulheres forçadas a casar-se, quer as que são vendidas para casamento quer as que são deixadas em sucessão a um familiar por morte do marido, sem que tenham o direito de dar ou não o próprio consentimento.


Não posso deixar de pensar a quantos, menores e adultos, são objeto de tráfico e comercialização para remoção de órgãos, para ser recrutados como soldados, para servir de pedintes, para atividades ilegais como a produção ou venda de drogas, ou para formas disfarçadas de adopção internacional.


Penso, enfim, em todos aqueles que são raptados e mantidos em cativeiro por grupos terroristas, servindo os seus objetivos como combatentes ou, especialmente no que diz respeito às meninas e mulheres, como escravas sexuais. Muitos deles desaparecem, alguns são vendidos várias vezes, torturados, mutilados ou mortos.


Algumas causas profundas da escravatura


4. Hoje como ontem, na raiz da escravatura, está uma concepção da pessoa humana que admite a possibilidade de a tratar como um objeto. Quando o pecado corrompe o coração do homem e o afasta do seu Criador e dos seus semelhantes, estes deixam de ser sentidos como seres de igual dignidade, como irmãos e irmãs em humanidade, passando a ser vistos como objetos. Com a força, o engano, a coação física ou psicológica, a pessoa humana – criada à imagem e semelhança de Deus – é privada da liberdade, mercantilizada, reduzida a propriedade de alguém; é tratada como meio, e não como fim.


Juntamente com esta causa ontológica – a rejeição da humanidade no outro –, há outras causas que concorrem para se explicar as formas atuais de escravatura. Entre elas, penso em primeiro lugar na pobreza, no subdesenvolvimento e na exclusão, especialmente quando os três se aliam com a falta de acesso à educação ou com uma realidade caracterizada por escassas, se não mesmo inexistentes, oportunidades de emprego. Não raro, as vítimas de tráfico e servidão são pessoas que procuravam uma forma de sair da condição de pobreza extrema e, dando crédito a falsas promessas de trabalho, caíram nas mãos das redes criminosas que gerem o tráfico de seres humanos. Estas redes utilizam habilmente as tecnologias informáticas modernas para atrair jovens e adolescentes de todos os cantos do mundo.


Entre as causas da escravatura, deve ser incluída também a corrupção daqueles que, para enriquecer, estão dispostos a tudo. Na realidade, a servidão e o tráfico das pessoas humanas requerem uma cumplicidade que muitas vezes passa através da corrupção dos intermediários, de alguns membros das forças da polícia, de outros atores do Estado ou de variadas instituições, civis e militares. «Isto acontece quando, no centro de um sistema econômico, está o deus dinheiro, e não o homem, a pessoa humana. Sim, no centro de cada sistema social ou econômico, deve estar a pessoa, imagem de Deus, criada para que fosse o dominador do universo. Quando a pessoa é deslocada e chega o deus dinheiro, dá-se esta inversão de valores».[5]


Outras causas da escravidão são os conflitos armados, as violências, a criminalidade e o terrorismo. Há inúmeras pessoas raptadas para ser vendidas, recrutadas como combatentes ou exploradas sexualmente, enquanto outras se veem obrigadas a emigrar, deixando tudo o que possuem: terra, casa, propriedades e mesmo os familiares. Estas últimas, impelidas a procurar uma alternativa a tão terríveis condições, mesmo à custa da própria dignidade e sobrevivência, arriscam-se assim a entrar naquele círculo vicioso que as torna presa da miséria, da corrupção e das suas consequências perniciosas.


Um compromisso comum para vencer a escravatura


5. Quando se observa o fenômeno do comércio de pessoas, do tráfico ilegal de migrantes e de outras faces conhecidas e desconhecidas da escravidão, fica-se frequentemente com a impressão de que o mesmo tem lugar no meio da indiferença geral.


Sem negar que isto seja, infelizmente, verdade em grande parte, apraz-me mencionar o enorme trabalho que muitas congregações religiosas, especialmente femininas, realizam silenciosamente, há tantos anos, a favor das vítimas. Tais institutos atuam em contextos difíceis, por vezes dominados pela violência, procurando quebrar as cadeias invisíveis que mantêm as vítimas presas aos seus traficantes e exploradores; cadeias, cujos elos são feitos não só de subtis mecanismos psicológicos que tornam as vítimas dependentes dos seus algozes, através de chantagem e ameaça a eles e aos seus entes queridos, mas também através de meios materiais, como a apreensão dos documentos de identidade e a violência física. A atividade das congregações religiosas está articulada a três níveis principais: o socorro às vítimas, a sua reabilitação sob o perfil psicológico e formativo e a sua reintegração na sociedade de destino ou de origem.


Este trabalho imenso, que requer coragem, paciência e perseverança, merece o aplauso da Igreja inteira e da sociedade. Naturalmente o aplauso, por si só, não basta para se pôr termo ao flagelo da exploração da pessoa humana. Faz falta também um tríplice empenho a nível institucional: prevenção, proteção das vítimas e ação judicial contra os responsáveis. Além disso, assim como as organizações criminosas usam redes globais para alcançar os seus objetivos, assim também a ação para vencer este fenômeno requer um esforço comum e igualmente global por parte dos diferentes atores que compõem a sociedade.


Os Estados deveriam vigiar por que as respectivas legislações nacionais sobre as migrações, o trabalho, as adopções, a transferência das empresas e a comercialização de produtos feitos por meio da exploração do trabalho sejam efetivamente respeitadoras da dignidade da pessoa. São necessárias leis justas, centradas na pessoa humana, que defendam os seus direitos fundamentais e, se violados, os recuperem reabilitando quem é vítima e assegurando a sua incolumidade, como são necessários também mecanismos eficazes de controle da correta aplicação de tais normas, que não deixem espaço à corrupção e à impunidade. É preciso ainda que seja reconhecido o papel da mulher na sociedade, intervindo também no plano cultural e da comunicação para se obter os resultados esperados.


As organizações intergovernamentais são chamadas, no respeito pelo princípio da subsidiariedade, a implementar iniciativas coordenadas para combater as redes transnacionais do crime organizado que gerem o mercado de pessoas humanas e o tráfico ilegal dos migrantes. Torna-se necessária uma cooperação a vários níveis, que englobe as instituições nacionais e internacionais, bem como as organizações da sociedade civil e do mundo empresarial.


Com efeito, as empresas [6] têm o dever não só de garantir aos seus empregados condições de trabalho dignas e salários adequados, mas também de vigiar por que não tenham lugar, nas cadeias de distribuição, formas de servidão ou tráfico de pessoas humanas. A par da responsabilidade social da empresa, aparece depois a responsabilidade social do consumidor. Na realidade, cada pessoa deveria ter consciência de que «comprar é sempre um ato moral, para além de econômico».[7]


As organizações da sociedade civil, por sua vez, têm o dever de sensibilizar e estimular as consciências sobre os passos necessários para combater e erradicar a cultura da servidão.


Nos últimos anos, a Santa Sé, acolhendo o grito de sofrimento das vítimas do tráfico e a voz das congregações religiosas que as acompanham rumo à libertação, multiplicou os apelos à comunidade internacional pedindo que os diversos atores unam os seus esforços e cooperem para acabar com este flagelo.[8] Além disso, foram organizados alguns encontros com a finalidade de dar visibilidade ao fenômeno do tráfico de pessoas e facilitar a colaboração entre os diferentes atores, incluindo peritos do mundo académico e das organizações internacionais, forças da polícia dos diferentes países de origem, trânsito e destino dos migrantes, e representantes dos grupos eclesiais comprometidos em favor das vítimas. Espero que este empenho continue e se reforce nos próximos anos.


Globalizar a fraternidade, não a escravidão nem a indiferença


6. Na sua atividade de «proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade»,[9] a Igreja não cessa de se empenhar em ações de carácter caritativo guiada pela verdade sobre o homem. Ela tem o dever de mostrar a todos o caminho da conversão, que induz a voltar os olhos para o próximo, a ver no outro – seja ele quem for – um irmão e uma irmã em humanidade, a reconhecer a sua dignidade intrínseca na verdade e na liberdade, como nos ensina a história de Josefina Bakhita, a Santa originária da região do Darfur, no Sudão. Raptada por traficantes de escravos e vendida a patrões desalmados desde a idade de nove anos, haveria de tornar-se, depois de dolorosas vicissitudes, «uma livre filha de Deus» mediante a fé vivida na consagração religiosa e no serviço aos outros, especialmente aos pequenos e fracos. Esta Santa, que viveu a cavalo entre os séculos XIX e XX, é também hoje testemunha exemplar de esperança[10] para as numerosas vítimas da escravatura e pode apoiar os esforços de quantos se dedicam à luta contra esta «ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo».[11]


Nesta perspectiva, desejo convidar cada um, segundo a respectiva missão e responsabilidades particulares, a realizar gestos de fraternidade a bem de quantos são mantidos em estado de servidão. Perguntemo-nos, enquanto comunidade e indivíduo, como nos sentimos interpelados quando, na vida quotidiana, nos encontramos ou lidamos com pessoas que poderiam ser vítimas do tráfico de seres humanos ou, quando temos de comprar, se escolhemos produtos que poderiam razoavelmente resultar da exploração de outras pessoas. Há alguns de nós que, por indiferença, porque distraídos com as preocupações diárias, ou por razões económicas, fecham os olhos. Outros, pelo contrário, optam por fazer algo de positivo, comprometendo-se nas associações da sociedade civil ou praticando no dia-a-dia pequenos gestos como dirigir uma palavra, trocar um cumprimento, dizer «bom dia» ou oferecer um sorriso; estes gestos, que têm imenso valor e não nos custam nada, podem dar esperança, abrir estradas, mudar a vida a uma pessoa que tateia na invisibilidade e mudar também a nossa vida face a esta realidade.


Temos de reconhecer que estamos perante um fenômeno mundial que excede as competências de uma única comunidade ou nação. Para vencê-lo, é preciso uma mobilização de dimensões comparáveis às do próprio fenômeno. Por esta razão, lanço um veemente apelo a todos os homens e mulheres de boa vontade e a quantos, mesmo nos mais altos níveis das instituições, são testemunhas, de perto ou de longe, do flagelo da escravidão contemporânea, para que não se tornem cúmplices deste mal, não afastem o olhar à vista dos sofrimentos de seus irmãos e irmãs em humanidade, privados de liberdade e dignidade, mas tenham a coragem de tocar a carne sofredora de Cristo,[12] o Qual Se torna visível através dos rostos inumeráveis daqueles a quem Ele mesmo chama os «meus irmãos mais pequeninos» (Mt  25, 40.45).


Sabemos que Deus perguntará a cada um de nós: Que fizeste do teu irmão? (cf. Gen 4, 9-10). A globalização da indiferença, que hoje pesa sobre a vida de tantas irmãs e de tantos irmãos, requer de todos nós que nos façamos artífices duma globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca nas nossas mãos.


Vaticano, 8 de Dezembro de 2014.


FRANCISCUS




N O T A S

[2] Mensagem para o Dia Mundial da Paz 2014, 2. 
[3]
 Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 11.[4] Cf. Discurso à Delegação internacional da Associação de Direito Penal (23 de Outubro de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 30/X/2014), 9.
[5] Discurso aos participantes no Encontro mundial dos Movimentos Populares (28 de Outubro de 2014): L’Osservatore Romano(ed. portuguesa de 06/XI/2014), 9.
[6] Cf. Pontifício Conselho «Justiça e Paz», La vocazione del leader d’impresa. Una riflessione (Milão e Roma, 2013).
[7] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 66.
[8] Cf. Mensagem ao Senhor Guy Rydes, Director-Geral da Organização Internacional do Trabalho, por ocasião da 103ª sessão da Conferência da O.I.T. (22 de Maio de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 05/VI/2014), 7.
[9] Bento XVI, Carta enc. Caritas in veritate, 5.
[10] «Mediante o conhecimento desta esperança, ela estava “redimida”, já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus» ( Bento XVI, Carta enc. Spe salvi, 3).
[11] Discurso aos participantes na II Conferência Internacional « Combating Human Trafficking: Church and Law Enforcement in partnership» (10 de Abril de 2014): L’Osservatore Romano (ed. portuguesa de 17/IV/2014), 8; cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 270.
[12] Cf. Exort. ap. Evangelii gaudium, 24270.
F0nte: CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – Imprensa – Internacional – Quinta-feira, 11 de dezembro de 2014 – Internet: clique aqui & ADITAL – Notícias da América Latina e Caribe – Mundo – 19/12/2014 – Internet: clique aqui.

Vivências - De perto @ De longe

Nº 1647  -  01/01/2015

6920. Evangelho de 5ª feira - Santa Mãe de Deus Maria (01-01-2015) - Nm 6, 22-27; Sl 66; Gl 4, 4-7; Lc 2, 16-21 - Os pastores foram depressa (até Belém) e encontraram Maria, José e o Menino deitado numa manjedoura. Vendo isso, começaram a contar tudo o que tinham ouvido sobre a criança. E todos que ouviam ficavam maravilhados com o que os pastores contavam. E Maria guardava cuidadosamente todas essas lembranças, refletindo sobre elas em seu coração. Os pastores foram embora. Glorificavam e louvavam a Deus por tudo quanto tinham ouvido e visto, tudo conforme lhes tinha sido anunciado. Depois de oito dias era preciso circuncidar o menino. E deram-lhe o nome de Jesus, como tinha sido chamado pelo anjo antes ainda de ser concebido.
 
Recadinho: - Que lição lhe dá Maria? - Qual a lição de José? - Os pastores também nos ensinam e muito! - Como Isabel, que elogia Maria, você elogia seu próximo quando surge ocasião? - Você se faz de “anjo de Deus” levando a mensagem de esperança ao próximo? Veja em nosso site PPS do Evangelho: Santa Mãe de Deus, Maria!
 
6921. Objetivo do ano da Vida Consagrada - O Papa Francisco proclamou o Ano 2015 como Ano da Vida Consagrada. Um dos objetivos é “formar religiosos e religiosas que tenham um coração terno e não ácido como vinagre”, alertou Papa Francisco. A Vida Consagrada não é uma realidade isolada e marginal, mas faz parte da vida e santidade da Igreja. Refletir sobre a Vida Consagrada é acolher o futuro com esperança e viver o presente com paixão. Não há preço que pague o trabalho de evangelização e de promoção humana que os consagrados realizam em nossas igrejas. Estamos num ano de louvor a Deus e de agradecimento por tudo quanto significam os “Consagrados” na vida da Igreja e da sociedade. Que continuem a ser pessoas de fronteira, com um forte sentido de presença nas “periferias” da nossa sociedade, como pede o Papa Francisco, frisando que “eles são homens e mulheres que podem acordar o mundo. A vida consagrada é uma profecia”. Homens e mulheres de oração por excelência, que a Virgem Mãe, discípula do Senhor, a todos abençoe e guie em especial ao longo deste 2015 e faça surgir muitas vocações para uma opção radical de vida.
 
6922. Vida Consagrada: carismas que enriquecem a Igreja! - “Nós bispos precisamos entender que as pessoas consagradas não são um material de ajuda, mas são carismas que enriquecem as dioceses. Quanto aos desafios da missão dos consagrados, as prioridades permanecem as realidades de exclusão e a preferência pelos mais pobres. É importante também a evangelização no âmbito da educação, como nas escolas e universidades. Transmitir conhecimento, transmitir formas de fazer e transmitir valores! Através destes pilares se transmite a fé. O educador deve estar à altura das pessoas que educa e interrogar-se sobre como anunciar Jesus Cristo a uma geração que está mudando”. (Papa Francisco, em 29/novembro/2014, falando aos participantes da 82ª Assembleia Geral da União dos Superiores Gerais, em Roma)
 
6923. Dia Mundial da Paz! - Por ocasião do Dia Mundial da Paz, que celebramos hoje, 1º de janeiro de 2015, o Papa Francisco publicou mensagem em que propõe reflexão sobre os conflitos e guerras ideológicas entre as religiões e países, chamando a atenção para a necessidade do diálogo e da paz. Alerta, ainda, para as diferentes formas de escravidão existentes no mundo e que é preciso “considerar todos os homens, já não escravos, mas irmãos”. Concluindo sua mensagem, Francisco convoca os cristãos para que sejam “artífices da globalização da solidariedade e da fraternidade que possa devolver-lhes a esperança e levá-los a retomar, com coragem, o caminho através dos problemas do nosso tempo e as novas perspectivas que este traz consigo e que Deus coloca em nossas mãos”.
 
- “Como irmãos e irmãs, todas as pessoas estão, por natureza, relacionadas umas com as outras, cada qual com a própria especificidade e todas partilhando a mesma origem, natureza e dignidade. Em virtude disso, a fraternidade constitui a rede de relações fundamentais para a construção da família humana criada por Deus”. (Papa Francisco, em sua mensagem para o Dia da Paz, 1º/janeiro/2015
 
Pe. Geraldo Rodrigues, CSsR

Aniversariantes do Dia

 
 
 
MIGUEL CARVALHO DE SOUSA
 
 
VICENTE PAULO DE CASTRO
 
 
PADRE ANTÔNIO ROBERTO PIMENTA
Comunidade do Santuário Nacional de Aparecida
Festejando 51 anos de idade
 
 
FESTEJAM ANIVERSÁRIO DE ORDENAÇÃO SACERDOTAL
Comunidades da Província de São Paulo
 
PADRE JOÃO PEREIRA GOMES - 1958
 
PADRE GERALDO CAMILO DE CARVALHO - 1959
 
PADRE GERVÁSIO FABRI DOS ANJOS - 1961
 
PADRE ANTÔNIO FERREIRA PACHECO - 1961
 
PADRE LUIZ ANTÔNIO MATHIAS - 1967
 
PADRE JOSÉ ROBERTO THULER - 1967
 
PADRE WERNER ANTÔNIO ANDERER - 1967
 
PADRE DANIEL BENEDITO TAMASSIA
Comunidade Santíssima Trindade - Goiás
Festejando 55 anos de Ordenação Sacerdotal