CONSAGRAÇÃO À NOSSA SENHORA APARECIDA NA VOZ DO PADRE VITOR COELHO CSsR

Ó MARIA SANTÍSSIMA, PELOS MÉRITOS DO SENHOR JESUS CRISTO QUE EM VOSSA IMAGEM MILAGROSA DE APARECIDA ESPALHAIS INÚMEROS BENEFÍCIOS SOBRE O BRASIL, EU, EMBORA INDIGNO DE PERTENCER AO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS, MAS DESEJANDO PARTICIPAR DOS BENEFÍCIOS DA VOSSA MISERICÓRDIA, PROSTRADO A VOSSOS PÉS, CONSAGRO-VOS O ENTENDIMENTO, PARA QUE SEMPRE PENSE NO AMOR QUE MERECEIS. CONSAGRO-VOS A LÍNGUA, PARA QUE SEMPRE VOS LOUVE E PROPAGUE A VOSSA DEVOÇÃO.CONSAGRO-VOS O CORAÇÃO, PARA QUE, DEPOIS DE DEUS, VOS AME SOBRE TODAS AS COUSAS.RECEBEI-NOS, Ó RAINHA INCOMPARÁVEL, QUE NOSSO CRISTO CRUCIFICADO DEU-NOS POR MÃE, NO DITOSO NÚMERO DOS VOSSOS SERVOS. ACOLHEI-NOS DEBAIXO DA VOSSA PROTEÇÃO. SOCORREI-NOS EM NOSSAS NECESSIDADES ESPIRITUAIS E TEMPORAIS E, SOBRETUDO, NA HORA DA NOSSA MORTE. ABENÇOAI-NOS Ó MÃE CELESTIAL, E COM VOSSA PODEROSA INTERCESSÃO FORTALECEI-NOS EM NOSSA FRAQUEZA, A FIM DE QUE, SERVINDO-VOS FIELMENTE NESTA VIDA, POSSAMOS LOUVAR-VOS, AMAR-VOS E RENDER-VOS GRAÇAS NO CÉU, POR TODA A ETERNIDADE. ASSIM SEJA! ...PELA INTERCESSÃO DE NOSSA SENHORA APARECIDA, RAINHA E PADROEIRA DO BRASIL, A BÊNÇÃO DE DEUS ONIPOTENTE, PAI, FILHO E ESPÍRITO SANTO, DESÇA SOBRE VÓS E PERMANEÇA SEMPRE.AMÉM!

ATUALIZAÇÃO



Em breve atualizaremos essa página.
Por enquanto, para acompanhar as atividades da UNESER, acesse nosso site: www.uneser.com.br

Agradecidos
PRÓXIMOS EVENTOS (Todos estão convidados)


II ENESER VIRTUAL
Dias 23, 24 e 25 de julho de 2021

II ERESER SACRAMENTO
Dias 28 e29de agosto de 2021






SOM NO BLOG

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9 de junho de 2015

XX ENESER - 2015

 
Estamos próximos da realização de mais um ENESER. 



Dias 17 a 19 de julho de 2015. Será o vigésimo!



Quantas alegrias e recordações já nos trouxeram os anteriores! Sempre tem espaço para isso...



Neste teremos mais um motivo para estar presente: A Eleição da Diretoria para o biênio 2015-2017.



Você que ainda não se inscreveu, venha somar forças e trazer suas sugestões. Participe realmente do grupo!



Faça logo sua inscrição através do site (www.uneser.com.br)  na página INSCRIÇÃO XX ENESER 



Teremos mais uma vez a Missa no Santuário Nacional às 18 hs do dia 18 de julho que será televisionada pela TV Aparecida e suas coligadas.



O Tema central de nosso encontro será: AS MULHERES NA BÍBLIA



O custo por pessoa para todos os dias será de
R$ 160,00 (Cento e sessenta reais)



Neste custo estão incluídos: 2 pernoites, 2 cafés da manhã, 2 almoços, 2 jantares (sendo o de sábado um belo churrasco), além dos lanches intermediários na manhã e à tarde.



Você que gosta e joga futebol, traga seu material para o lazer de sábado à tarde...



Traga também sua colaboração em doces, biscoitos, salgados, bebidas e brindes para serem sorteados entre os presentes..



Aguardamos sua inscrição! 

15 de fevereiro de 2015

Aos 98 anos, padre concelebra Missa diária na cadeira de rodas


A pedido do Papa Francisco, 2015 é um ano dedicada à Vida Consagrada, Por este motivo, nossa equipe conta a história de um padre que, mesmo aos 98 anos de idade, ainda concelebra Missas todos os dias.

25 de setembro de 2014

O encontro pessoal com Cristo

Redação A12, 15 de Setembro de 2014 às 08h37

Buscando renovar as motivações verdadeiras, que nos levam a anunciar o Evangelho de Cristo, o Papa Francisco faz questão de dizer, com muita clareza, que só seremos verdadeiros anunciadores de Jesus, se experimentamos o seu amor, cada qual em sua vida.
encontroPois só podemos transmitir o amor de Cristo, se nós o vivemos pessoalmente. E se por acaso sentimos que nossas motivações têm outra fonte, se faz urgente procurar de novo a força do amor de Cristo.
Diz o Papa textualmente: “Se não sentimos o desejo intenso de comunicar Jesus, precisamos nos deter em oração, para lhe pedir que volte a cativar-nos. Precisamos implorar a cada dia a sua graça, para que abra nosso coração frio e sacuda nossa vida tíbia e superficial”.
E acrescenta: “é urgente recuperar um espírito contemplativo que nos permita, cada dia, sermos depositários de um bem que nos humaniza, que nos ajuda a levar uma vida nova”
Para cumprir a missão, que o próprio Cristo nos confiou, é indispensável termos presente o que ele é e o que ele fez.
Diz o texto da Evangelii Gaudium: “Toda a vida de Jesus, a sua forma de tratar os pobres, os seus gestos, a sua coerência, a sua generosidade simples e cotidiana, e finalmente a sua total dedicação, tudo é precioso e fala à nossa vida pessoal”.
Jesus é o nosso Mestre, que nos escolheu, nos chamou, e nos sustenta com o seu amor.
Descobrir isto é o início, o meio e o fim, de nossa missão de evangelizadores. Como São Paulo, somos chamados a dar-nos conta que é Jesus que nos envolve em seu mistério de amor, e nos torna portadores de sua força.
Fonte: Diocese de Jales.

1 de junho de 2014

Mensagem para o mês de junho


CORAÇÃO ABERTO PARA TODOS

“Vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas, mas um soldado lhe atravessou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.” É o que nos diz João (19,33-34).  O texto sempre chamou a atenção dos comentaristas, que ali viam o símbolo do nascimento da Igreja, nova Eva que nasce do coração de Jesus.
Nessa mesma linha de ideias, podemos pensar que o coração rasgado pela lança é o coração aberto para nos acolher a todos, para fazer de nós a comunidade fraterna de discípulos. Se assim é, então, só podemos fazer parte dessa comunidade se nos deixamos acolher e conquistar pelo amor de Cristo. Esse amor é que nos transforma e salva, sacia nossa fome e nossa sede de união, paz e felicidade. Só podemos amar o próximo como devemos, se nos deixamos amar pelo amor encarnado do Filho de Deus.

Pe. Flávio Cavalca de Castro, CSsR



11 de maio de 2014

“Vocações, testemunho da verdade”


51º Dia Mundial de Orações pelas Vocações

Mensagem do Papa Francisco 

11 de maio de 2014

Amados irmãos e irmãs!
1.         Narra o Evangelho que «Jesus percorria as cidades e as aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor. Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe”» (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que «a messe é grande». Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de «muito fruto», deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes «colaboradores de Deus», trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: «Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo» (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.
2.         Muitas vezes rezamos estas palavras do Salmista: «O Senhor é Deus; foi Ele quem nos criou e nós pertencemos-Lhe, somos o seu povo e as ovelhas do seu rebanho» (Sal 100/99, 3); ou então: «O Senhor escolheu para Si Jacó, e Israel, para seu domínio preferido» (Sal 135/134, 4). Nós somos «domínio» de Deus, não no sentido duma posse que torna escravos, mas dum vínculo forte que nos une a Deus e entre nós, segundo um pacto de aliança que permanece para sempre, «porque o seu amor é eterno!» (Sal 136/135, 1). Por exemplo, na narração da vocação do profeta Jeremias, Deus recorda que Ele vigia continuamente sobre a sua Palavra para que se cumpra em nós. A imagem adotada é a do ramo da amendoeira, que é a primeira de todas as árvores a florescer, anunciando o renascimento da vida na Primavera (cf. Jr 1, 11-12). Tudo provém d’Ele e é dádiva sua: o mundo, a vida, a morte, o presente, o futuro, mas – tranquiliza-nos o Apóstolo – «vós sois de Cristo e Cristo é de Deus» (1Cor 3, 23). Aqui temos explicada a modalidade de pertença a Deus: através da relação única e pessoal com Jesus, que o Batismo nos conferiu desde o início do nosso renascimento para a vida nova. Por conseguinte, é Cristo que nos interpela continuamente com a sua Palavra, pedindo para termos confiança n’Ele, amando-o «com todo o coração, com todo o entendimento, com todas as forças» (Mc 12, 33). Embora na pluralidade das estradas, toda a vocação exige sempre um êxodo de si mesmo para centrar a própria existência em Cristo e no seu Evangelho. Quer na vida conjugal, quer nas formas de consagração religiosa, quer ainda na vida sacerdotal, é necessário superar os modos de pensar e de agir que não estão conformes com a vontade de Deus. É «um êxodo que nos leva por um caminho de adoração ao Senhor e de serviço a Ele nos irmãos e nas irmãs» (Discurso à União Internacional das Superioras Gerais, 8 de Maio de 2013). Por isso, todos somos chamados a adorar Cristo no íntimo dos nossos corações (cf. 1 Pd 3, 15), para nos deixarmos alcançar pelo impulso da graça contido na semente da Palavra, que deve crescer em nós e transformar-se em serviço concreto ao próximo. Não devemos ter medo: Deus acompanha, com paixão e perícia, a obra saída das suas mãos, em cada estação da vida. Ele nunca nos abandona! Tem a peito a realização do seu projeto sobre nós, mas pretende consegui-lo contando com a nossa adesão e a nossa colaboração.
3.         Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que «são espírito e são vida» (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: «Fazei o que Ele vos disser!» (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que «por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13, 35)?
4.         Amados irmãos e irmãs, viver esta «medida alta da vida cristã ordinária» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31) significa, por vezes, ir contra a corrente e implica encontrar também obstáculos, fora e dentro de nós. O próprio Jesus nos adverte: muitas vezes a boa semente da Palavra de Deus é roubada pelo Maligno, bloqueada pelas tribulações, sufocada por preocupações e seduções mundanas (cf. Mt 13, 19-22). Todas estas dificuldades poder-nos-iam desanimar, fazendo-nos optar por caminhos aparentemente mais cômodos. Mas a verdadeira alegria dos chamados consiste em crer e experimentar que o Senhor é fiel e, com Ele, podemos caminhar, ser discípulos e testemunhas do amor de Deus, abrir o coração a grandes ideais, a coisas grandes. «Nós, cristãos, não somos escolhidos pelo Senhor para coisas pequenas; ide sempre mais além, rumo às coisas grandes. Jogai a vida por grandes ideais!» (Homilia na Missa para os crismandos, 28 de Abril de 2013). A vós, Bispos, sacerdotes, religiosos, comunidades e famílias cristãs, peço que orienteis a pastoral vocacional nesta direção, acompanhando os jovens por percursos de santidade que, sendo pessoais, «exigem uma verdadeira e própria pedagogia da santidade, capaz de se adaptar ao ritmo dos indivíduos; deverá integrar as riquezas da proposta lançada a todos com as formas tradicionais de ajuda pessoal e de grupo e as formas mais recentes oferecidas pelas associações e movimentos reconhecidos pela Igreja» (João Paulo II, Carta ap. Novo millennio ineunte, 31).
Disponhamos, pois, o nosso coração para que seja «boa terra» a fim de ouvir, acolher e viver a Palavra e, assim, dar fruto. Quanto mais soubermos unir-nos a Jesus pela oração, a Sagrada Escritura, a Eucaristia, os Sacramentos celebrados e vividos na Igreja, pela fraternidade vivida, tanto mais há de crescer em nós a alegria de colaborar com Deus no serviço do Reino de misericórdia e verdade, de justiça e paz. E a colheita será grande, proporcional à graça que tivermos sabido, com docilidade, acolher em nós. Com estes votos e pedindo-vos que rezeis por mim, de coração concedo a todos a minha Bênção Apostólica.
Vaticano, 15 de Janeiro de 2014

Franciscus

7 de maio de 2014

Frei Betto e o Papa Francisco


Encontro de Frei Betto com o Papa: “foi rápido, mas consistente, eu disse tudo o que precisava”
Natasha Pitts
Adital
Um rápido encontro entre Frei Betto e o Papa Francisco, no último dia 09 de abril, em Roma, na Itália, após a audiência geral realizada todas às quartas-feiras, causou grande controvérsia e a publicação de informações desencontradas. O fato é que o breve encontro, de acordo com Frei Betto em entrevista à Adital, foi o suficiente para que ele pudesse fazer pedidos importantes ao Sumo Pontífice.
Em janeiro deste ano, o frei dominicano enviou uma carta ao Papa dizendo que estaria em Roma de 07 a 14 de abril. Com a ajuda do jornalista italiano Antonio Vermigli e de um vaticanista, a carta chegou às mãos de um assessor direto do Papa, que marcou para que Frei Betto comparecesse à audiência da quarta-feira, pois o Francisco o conhecia e queria falar com ele.
"Quando o Papa passou junto ao lugar em que eu me encontrava eu disse: Santo Padre, eu quero agradecer a carta que o senhor enviou às Comunidades Eclesiais de Base no encontro em Juazeiro (Juazeiro do Norte, no Estado do Ceará), em janeiro, mas eu gostaria que o senhor sempre lembrasse que as Comunidades não são um movimento da Igreja, são a própria Igreja no meio dos pobres. Gostaria que o senhor também sempre dialogasse, como pai amoroso, com a Teologia da Libertação, que é uma filha fiel à Igreja e que sempre se lembre dos povos indígenas. O encontro foi rápido, mas foi consistente, eu disse tudo o que precisava”, relatou Frei Betto.
O religioso também pediu a reabilitação do Mestre Eckhart e de Giordano Bruno, dois dominicanos da Idade Média condenados pela igreja. "Ele, sempre prestando muita atenção ao que eu dizia falou: reze por isso. Terminei dizendo em latim: Fora dos pobres não há salvação. E ele falou: estou de acordo”.
Frei Betto explicou o pedido de reabilitação dos dois dominicanos. "Mestre Eckhart foi um grande místico alemão centrado na subjetividade humana e com expressões que chocaram os ouvidos de Roma na época; tipo: ‘Eu e Deus somos um’. Ora, São Paulo, muito antes de ser considerado santo, falou isso, ‘já não sou eu quem vivo, é Cristo que vive em mim’. A igreja estava entrando no período inquisitorial e qualquer coisa que soasse estranho era motivo de censura ou de condenação. Giordano Bruno foi um homem profético, intuitivo, também um grande místico, foi queimado vivo, pois ele ridicularizou muito os inquisidores, a ponto de dizer aos seus algozes: vocês têm mais medo de mim do que eu de vocês. E isso irrita até hoje as pessoas conservadoras da Igreja, embora cada cidade na Itália, por menor que seja, tenha uma rua Giordano Bruno”.
Sobre esse pedido especial, realizado porque a ordem dominicana completa 800 anos em 2016, Frei Betto interpretou que as palavras do Papa: "Reze por isso”, soaram como quem diz: eu estou de acordo, mas não vai ser fácil.
Questionado sobre quais assuntos abordaria com o Papa caso tivesse mais tempo, Frei Betto afirmou que "falaria da mudança do Estatuto da Mulher na Igreja, pois a mulher até hoje é considerada um ser inferior, por isso não pode ser sacerdote; falaria de Cuba, pediria para ele interferir pela libertação dos cinco cubanos, e falaria da importância dele valorizar os movimentos sociais”.
A rápida troca de palavras entre os religiosos incomodou a imprensa conservadora e provocou a publicação de matérias controversas e com informações erradas. O jornal La República noticiou "Papa recebe teólogo rebelde” e chegou a afirmar que Betto havia sido recebido na Casa Santa Marta, a residência do Papa. A informação foi desmentida pelo L’Osservatore Romano, o jornal oficial do Vaticano
"Esse encontro incomodou bastante a imprensa conservadora, que, por sinal, já estava bastante incomodada porque o Papa recebeu Gustavo Gutiérrez, considerado o pai da Teologia da Libertação”, explicou Frei Betto.

Fonte: Adital 06/05/14

17 de abril de 2014

Mistério Pascal

No tempo pascal, certamente você irá se deparar com esta expressão "Mistério pascal".
Nessa expressão está a essência da nossa fé cristã
O que significa "Mistério"?
Aqui a palavra 'mistério' tem o sentido de iniciação ou de introdução. Imagine um adulto não batizado, que deseja ser cristão. Ela precisa não só ter umas aulas de catequismo, mas também passar por uma experiência pessoal de encontro de fé com Jesus, de conhecimento de seu Evangelho e de participação gradativa na comunidade cristá. É todo um processo de introdução na vivência cristã, para tornar-se católico consciente e ativo. Pois bem, esse caminho de ingresso na fé cristã, que será celebrado com  Batismo, a Crisma e a Eucaristia, é chamado de 'mistério'. Por isso, esses três sinais são denominados Sacramentos da Iniciação cristã.
E qual é o sentido da palavra "Pascal"?
Ela se refere a Jesus e aos acontecimentos finais da sua vida: sua paixão, morte, ressurreição e ascensão. Jesus é introduzido no sofrimento humano ara libertá-lo da sua dependência do poder do mal e da morte, através de sua Ressurreição. Esta é a nossa Páscoa! E Jesus nos oferece a possibilidade de sermos introduzidos em sua Páscoa e dela participar, para sermos também libertados da escravidão do pecado e da morte. Eis o Mistério pascal: o caminho pascal de Jesus torna-se o caminho pascal do cristão.
Mistério Pascal: Nós em Jesus e Jesus em nós
Esse Mistério pascal é um dom do Pai para cada pessoa e para toda a humanidade, como fonte de libertação e como experiência de comunhão, ainda que sob o véu dos sinais sacramentais. Assim, pela invocação do Espírito Santo, as celebrações litúrgicas nos fazem participar dos fatos passados, e atualizam sobre nós a mesma graça redentora que se derramou sobre Maria Santíssima, sobre os apóstolos e os primeiros discípulos de Jesus: O Batismo nos faz filhos adotivos do Pai, a Crisma nos dá o Espírito Santo e a Eucaristia nos mantém em comum união com Jesus e com os irmãos.
Se alguém vier lhe perguntar o que é Mistério pascal, pode resumir tudo o que refletimos acima, respondendo com alegria: Mistério pascal é a vida de Jesus Ressuscitado em mim e a minha vida em Jesus Ressuscitado!

Fonte: A12

7 de abril de 2014

Província Redentorista de Campo Grande prepara jubileu de 25 anos


 

A Unidade Redentorista de Campo Grande celebra em 2014 os seus 25 anos como província. O evento será comemorado no dia 12 de outubro de 2014, mas começará a ser celebrado no próximo mês de maio, com um fórum sobre a história e a atividade missionária dos redentoristas desta unidade.



O Fórum será celebrado no mês de maio de 2014 e acontecerá em dois Estados: Mato Grosso do Sul e Paraná. O Objetivo do fórum é celebrar o percurso missionário como Província. O pano de fundo é fortalecer a vida redentorista entre os confrades do Paraná e do Mato Grosso do Sul e ajudar os leigos a conhecerem melhor nossa missão e espiritualidade, estimulando as vocações. É olhar o presente a partir do passado e preparar melhor o futuro.

Em Campo Grande, o Fórum será realizado no dia 17 de maio de 2014 e, em Curitiba, no dia 24 de maio de 2014. Para esse evento, são convidados todos os confrades desta Unidade Provincial, vocacionados, líderes das comunidades das paróquias e santuários, formandos de todos os níveis, confrades de outras Unidades, profissionais de mídias, leigos redentoristas e outros.



"O critério para comemorar esses 25 anos é continuar sonhando juntos, assim como os pioneiros sonharam!".

Os temas contemplados no fórum focam o trabalho missionário da Província nas diversas áreas missionárias e na espiritualidade redentorista nos tempos atuais. Vários conteúdos serão abordados, a saber: as respostas dos redentoristas, a partir do carisma da Congregação, às urgências da Igreja no Brasil e na missão com os pobres, desde o Paraná e o Mato Grosso do Sul; as realidades e perspectivas da juventude em relação às vocações e sua dimensão missionária, desde o carisma redentorista na Província; as iniciativas e como se tem desenvolvido a missão provincial na construção de uma Igreja comunidade de comunidades, desde as paróquias, santuários e missões populares; e, finalmente, a religiosidade popular e a evangelização nos santuários e paróquias da Província na ótica da Teologia Moral afonsiana.

A história desta Unidade iniciou no dia 23 de novembro de 1929, quando dois missionários redentoristas norte-americanos partiram de New York em direção à Aquidauana, no pantanal sul mato-grossense. A longa viagem de navio até o Brasil e a estressante viagem de trem até Aquidauana, mostram o espírito missionário decido que impelia o padre Francis Mohr e Afonso Hild a começar uma nova missão em terras desconhecidas. No final do mês de janeiro de 1930, entre dificuldades, acertos e muita coragem, deram os primeiros passos na evangelização. No dia 12 de outubro de 1989 esses passos foram confirmados elevando esta Unidade à “Província Campo Grande”.

Os anos se passaram, os sonhos foram sendo realizados e outros foram sendo “sonhados”. O que sempre continuará atual é o diálogo, a oração, a consciência dos talentos e das fraquezas, a perseverança na vocação e a firme presença do Espírito Santo. Celebramos o campo cultivado no passado, colhemos os frutos no presente e preparamos as sementes para que continuem a produzir mais frutos no futuro. O critério para comemorar esses 25 anos é continuar sonhando juntos, assim como os pioneiros sonharam!



Padre Gelson Luiz Mikuszka, C.Ss.R.
Provincia de Campo Grande, Brasil

2 de abril de 2014

Esperança Nossa, Salve

Texto do Pe. Ângelo Licati, CSsR



A esperança é uma virtude que nasce da fé. A fé nos revela realidades e mistérios que a nossa razão não pode atingir: a fé, portanto é uma luz divina, uma graça, um dom que Deus nos concede para conhecermos, ainda que, imperfeitamente, nossa origem, nossa vocação e nosso destino eterno. Sem a fé, é impossível chegar até Deus. Como os mistérios revelados pela fé, são maravilhosos e de suma importância para nós, a fé desperta em nós o desejo de os possuir, de participar desses mistérios. O desejo de participar e a possibilidade de os possuir, faz nascer em nós a Esperança.
A esperança é a força interior que nos faz querer e buscar as realidades reveladas pela fé. É verdade que, só em Deus, como fonte e fundamento de nossa esperança, é que podemos depositar nossa esperança. Como podemos, então, chamar Nossa Senhora de Esperança nossa? O próprio Deus quis dar para nós a resposta a esta dificuldade: Só dele vem a graça e a salvação. Só Jesus é o nosso Redentor e Salvador. Mas, no entanto, não quis realiza tudo sozinho: quis precisar da mediação de uma mulher-Maria-Mãe de Jesus- para realizar a salvação do mundo. O Salvador já fora prometido no paraíso, após o pecado de nossos primeiros pais. Mas, Deus, Pai misericordioso, não quis que a humanidade entrasse em desespero, e por isso fez uma promessa: “Eu porei inimizade entre e a Mulher; entre a tua descendência e a descendência dela. Estes vão esmagar-te a cabeça, e tu ferirás o calcanhar deles”(Gn 3,15).
A promessa da vitória final, não deixou que nossos pais, e nossos antecedentes entrassem no desespero! Havia uma promessa de libertação e de salvação. E a promessa feita pelo próprio Deus, fez nascer a esperança no coração da humanidade. Mas a promessa de vitória estava vinculada a dois novos personagens: a uma mulher, que seria a mãe do Salvador e a seu Filho. A promessa faz que firmemos nossa esperança no poder e na veracidade de Deus, como fonte e fundamento de nossa esperança. Vamos olhar, agora, como essa promessa se realizou.
São Lucas, em seu Evangelho, descreve de maneira simples, mas encantadora, o momento solene do início da Salvação da humanidade. O Anjo Gabriel, enviado por Deus, deposita a esperança de Deus, nas mãos de uma jovem: Maria. Do seu “sim” estava dependendo a salvação do mundo. Maria se tornou, por escolha de Deus, a depositória da esperança. Por sua fé em Deus, que pode realizar o impossível, tornou-se possível a Salvação da humanidade. Naquele momento a esperança da humanidade estava concentrada numa pessoa: Maria. Ela era a nossa esperança. A fé e a esperança de Maria trouxeram a Salvação para o mundo. Todos nós sabemos que Maria não é a nossa Salvadora, mas nem todos sabem que, sem Maria, não haveria a Salvação. Em Maria se realizaram a promessa e a esperança de Deus de poder salvar o mundo por meio de seu filho, tornado humano, que nasceu e se tornou homem no ventre virginal de Maria. Se o próprio Deus depositou sua esperança em Maria, será que estaremos errados em depositar nossa esperança em Maria? Deus é a fonte e o princípio da Salvação, mas ela só chega a nós pela mediação de Jesus, que, por vontade do Pai, se tornou filho de Maria.
Maria, sois a nossa esperança!

1 de abril de 2014

Jubileu


Preparação para os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida





50 Anos do Golpe Militar


Nota Pública da Comissão Nacional da Verdade: 50 anos do golpe de estado de 1964

Segunda-feira, 31 de março de 2014 - 11h45min
por www.cnv.gov.br
Há cinquenta anos um golpe de estado militar destituiu o governo constitucional do presidente João Goulart. Instaurou por longo tempo no país um regime autoritário que desrespeitava os direitos humanos; no qual os direitos sociais de muitos eram ignorados; em que os opositores e dissidentes foram rotineiramente perseguidos com a perda dos direitos políticos, a detenção arbitrária, a prisão e o exílio; onde a tortura, os assassinatos, os desaparecimentos forçados e a eliminação física foram sistematicamente utilizados contra aqueles que se insurgiam. Neste cinquentenário, a Comissão Nacional da Verdade quer homenagear essas vítimas e reafirmar sua determinação em ajudar a construir um Brasil cada vez mais democrático e mais justo.

A Comissão Nacional da Verdade nasceu com o objetivo de examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos praticadas no período. Baseia-se na convicção de que a verdade histórica tem como objetivo não somente a afirmação da justiça, mas também preparar a reconciliação nacional, como vem assentado no seu mandato legal. Esteia-se na certeza de que o esclarecimento circunstanciado dos casos de tortura, morte, desaparecimento forçado, ocultação de cadáver e sua autoria, a identificação de locais, instituições e circunstâncias relacionados à prática de violações graves de direitos humanos, constituem dever elementar da solidariedade social e imperativo da decência, reclamados pela dignidade de nosso país. Não deveria haver brasileiro algum ou instituição nacional alguma que deles se furtassem sob qualquer pretexto.

No ano passado comemoramos os vinte cinco anos da promulgação da Constituição Brasileira de 1988. Oitenta e dois milhões de brasileiros nasceram sob o regime democrático. Mais de oitenta por cento da população brasileira nasceu depois do golpe militar. O Brasil que se confronta com o trágico legado de 64, passados cinquenta anos, é literalmente outro. O país se renovou, progrediu e busca redefinir o seu lugar no concerto das nações democráticas. Não há por que hesitar em incorporar a esta marcha para adiante a revisão de seu passado e a reparação das injustiças cometidas. Pensamos ser este o desejo da maioria. É certamente o sentido do trabalho da Comissão Nacional da Verdade.

Brasília, 30 de março de 2014

COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE
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31 de março de 2014

Igreja profética em memória sombria

Texto enviado pelo Paulinho. Vale a pena ler!

Relembramos neste mês o cinquentenário de anos terríveis.  Anos de opressão, de morte, ditadura e obscurantismo.  Lembro-me do presidente Jânio Quadros condecorando Che Guevara e recebendo Fidel Castro em 1959.  E em 1961, os tempos de prelúdio do que se anunciava: a renúncia de Jânio, dizendo-se pressionado por “forças ocultas” jamais reveladas.  E a posse de João Goulart. Depois veio 1964, em seu inesquecível 1º de abril, que, infelizmente, não era mentira.
No rádio, Carlos Lacerda usava sua poderosa oratória em favor do Golpe.  Em casa, todos sentiam medo.  Minha avó, meu avô, minha mãe... era preciso salvar o país dos comunistas. O padre Peyton, americano, mandara rezar o terço em família.  E aquela casa católica obedecia. Relembramos neste mês o cinquentenário de anos terríveis.  Anos de opressão, de morte, ditadura e obscurantismo.  Lembro-me do presidente Jânio Quadros condecorando Che Guevara e recebendo Fidel Castro em 1959.  E em 1961, os tempos de prelúdio do que se anunciava: a renúncia de Jânio, dizendo-se pressionado por “forças ocultas” jamais reveladas.  E a posse de João Goulart. Depois veio 1964, em seu inesquecível 1º de abril, que, infelizmente, não era mentira. 

Eu, ainda adolescente, sem saber muito das coisas, acompanhava o medo personificado nos tanques que marchavam em direção ao esmagamento do governo de João Goulart. Rezei muito para que o Brasil não caísse nas mãos dos comunistas, e disseram-me que os militares nos haviam salvado desse cruel destino. 
Em 1968 entrei para a PUC, para o curso de jornalismo.  E aí pude experimentar na carne a verdade do que acontecia. Em cada sala de aula havia um ou mais espiões, dedos-duros, pretensos colegas que anotavam o que se falava e pensava para delatar “os perigosos subversivos” às forças da polícia do governo militar.  De repente, desaparecia um deles ou delas, e não se sabia seu paradeiro. 
A disciplina educação moral e cívica era obrigatória. E nos ensinava a história que não passava pelos porões do DOI-Codi, onde jovens, trabalhadores, religiosos eram barbaramente torturados e perdiam o juízo e a vida. Segundo os professores de EPB, em geral militares reformados, o Brasil crescia e se transformava em potência mundial. 
Eu me sentia emergindo de um torpor, e esse despertar continuou quando mataram o estudante Edson Luís. Depois, quando levaram minha amiga, minha irmã de toda a vida, presidente do Diretório Central de estudantes da minha universidade. Passei a fazer teatro, peças que criticavam a burguesia e a alienação; a assinar papéis e manifestos contra a ditadura; a ajudar no mimeógrafo a álcool que multiplicava textos contrários ao regime. 
Em 1969, casei-me e fui morar na França por um ano. Foi lá que ouvi pela primeira vez a denúncia das torturas. Pela boca dos exilados, dos artistas, dos brasileiros que se reuniam no restaurante A Feijoada para matar as saudades do Brasil e comentavam, perplexos, o que acontecia no país, fiquei sabendo da verdade.  Ao voltar, em 1971, reabri minha matrícula na PUC-Rio. O AI-5 vigorava a pleno vapor, minha amiga se encontrava exilada, trocada pelo embaixador americano.  Não consegui reencontrar vários colegas, que não mais frequentavam a universidade. 
Em 1975, formei-me e fui trabalhar na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), cuja sede era no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.  E ali vivi outro capítulo definitivo de minha tomada de consciência do que o golpe de 64 semeava de terror e crueldade pelo país afora.  Foi uma experiência de indignação, mas também de maravilhamento.  Pois foi então que conheci em profundidade a face profética e santa de minha Igreja. 
Em um momento em que todos se calavam em apavorado silêncio, os bispos levantavam a voz.  Denunciavam, enfrentavam, agiam. Eram ameaçados e agredidos, como dom Adriano Hipólito, em Nova Iguaçu, e dom Helder, em Recife.  Quando ninguém mais tinha coragem de defender os direitos humanos, dom Aloisio Lorscheider, dom Ivo, dom Helder, dom Adriano, dom Waldir Calheiros se faziam ouvir, para que a verdade ressoasse e libertasse o povo brasileiro do engano em que se encontrava mergulhado. 
Pela sede da CNBB passavam jovens torturados e exilados, moças grávidas em estado de choque, vindos de países vizinhos ou de outras partes do país.  Os bispos e a Caritas, que funcionava na parte inferior do edifício, lhes davam passaportes, passagens de avião para a Europa ou para outros lugares do mundo e lhes devolviam a esperança e a liberdade. 
Depois soube que minha doce amiga tinha sido acompanhada pessoalmente por dom Ivo à prisão.  Ele a visitava frequentemente, e graças a isso ela saiu dali com vida e com sua integridade preservada. Nenhum ou quase nenhum daqueles militantes era católico ou cristão.  Que importava?  Eram seres humanos e, portanto, tinham direito à integridade física e mental, à dignidade, à liberdade que Deus lhes dera. 
Ali começou para mim uma nova etapa de vida, um novo aprendizado.  Orgulhosa de minha Igreja até a última dimensão de meu ser, dispus-me a estudar teologia para poder estar ao lado daqueles que se arriscavam pela vida alheia e defendiam os direitos dos outros, denunciando as agressões à vida humana cometidas no país. 
Hoje, neste macabro cinquentenário, lemos horrorizados o relato descarado do torturador Paulo Malhães sobre seus métodos requintados daqueles terríveis anos. Ele narra como cortava dedos, membros e abria vísceras dos prisioneiros políticos antes de esquartejá-los e atirá-los nos rios da Região Serrana. Em meio ao asco e ao horror da leitura, celebro a graça de fazer parte desta Igreja que corajosamente se opôs a isso. Tão cheia de pecados e falhas, mas tão destemida e santa é ela quando se deixa inspirar por Jesus e seu Evangelho.  Que sua atuação não seja esquecida na triste, mas necessária memória destes 50 anos do Golpe militar.

* Maria Clara Lucchetti Bingemer, teóloga e professora do Centro de Teologia e Ciências Humanas da PUC-Rio, é autora de vários livros como 'Ser cristão hoje' (Editora Ave Maria) e 'O  mistério e o mundo – Paixão por  Deus em tempo de descrença' (Editora Rocco). - agape@puc- rio.br 

21 de março de 2014

Papa Francisco, ao estilo jesuíta


18.03.2014
Adital
Um ano após sua assunção ao papado muito ainda se fala e se descobre sobre Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco. Seu jeito simples, pouco formal e o hábito de quebrar protocolos ainda chamam atenção. Após completar 365 dias como sucessor de Pedro no dia 13 de março, teólogos e pessoas próximas destacaram a importância da atuação de Francisco e da "revolução do papado” que ele está promovendo.
Em entrevista a Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, o jesuíta argentino Humberto Miguel Yañez, amigo de Bergoglio, fez um balanço sobre os 365 dias de pontificado do Papa Francisco e revelou os pontos que o destacam.
"O primeiro é o seu novo estilo, é um Papa original. Não tem o estilo formal dos Papas reis. Bergoglio não tem nada de rei. Nesse sentido, é uma grande mudança, pela qual muitos ainda estão impactados e custam aceitar. Por isso, não ocupa os aposentos pontifícios, vive na Casa Santa Marta para ter contato com as pessoas. Um estilo de vida mais dos religiosos. Essa é outra de suas características, é um Papa religioso depois de muitos séculos e o primeiro jesuíta. Tudo isso se percebe em seu modo de agir, de ser e de tratar as pessoas. Não ama em nada o protocolo. Um estilo simples, singelo, espontâneo, natural. Isso chama a atenção, que seja tão normal”, comenta.
Yañez também lembra que Bergoglio não perdeu suas características, ele é "profundamente jesuíta” e continua carregando o carisma eclesial da Companhia de Jesus, que tem como pontos fortes a abertura e o diálogo com todos.
Nas palavras do teólogo Leonardo Boff "Francisco está fazendo uma revolução de humanidade, a revolução do papado”. "Francisco é mais do que um nome, é um projeto de Igreja e de mundo: uma Igreja pobre, sem aparato de poder, uma Igreja do encontro, da misericórdia. Como ele disse, uma Igreja que faz a revolução da ternura”, destacou Boff em entrevista à Rádio del Plata.
O teólogo julga que a maior revolução que Francisco está fazendo é "a revolução do papado, que começou com ele próprio” e isto é possível ver, pois ele não se encaixou no perfil clássico do Papa, mas fez com que seu jeito de ser se impregnasse na figura do sumo pontífice e se transformasse em algo extremamente humano e próximo ao povo. "É uma revolução de humanidade que devolveu à Igreja sua dimensão, seu rosto humano, de compaixão, de abertura, de diálogo”, afirmou.
Como já foi largamente observado e Boff também lembrou, Francisco tem liberdade de espírito e é acessível para o povo, como nunca se viu antes com outros Papas. Para o teólogo, isso é possível porque Francisco vem da América Latina e possui experiência direta de contato corpo a corpo com o povo, com os pobres.
"Ele é alguém que não precisa de aparato de segurança, que pode tocar no povo e se deixar tocar, que não precisa se proteger porque se sente protegido por Deus. Há muitos que falam de forma burocrática ou em função de interesses, mas ele fala a partir do coração e diz coisas simples, claras, que todos podem entender”.
Entre os fatos que marcaram este primeiro ano de papado, o padre jesuíta e professor emérito da Universidade de Brasília (UnB), José Carlos Brandi Aleixo, destaca a viagem de Francisco à Ilha de Lampedusa, na Itália, a criação do grupo de oito cardeais para propor reformas na Santa Sé, os apelos contra a guerra na Síria e a exortação Evangelii Gaudium, em que o Papa falou sobre temas polêmicos como aborto, o sacerdócio e a igualdade de direitos entre homens e mulheres.

20 de março de 2014

QUEM RESISTE AO PAPA FRANCISCO



Andrea Riccardi*
A simpatia das pessoas para com o Papa não se atenua após um ano. Francisco guia os cristãos à redescoberta do Evangelho (domingo passado pediu a todos para lê-lo). Deseja que se saia dos espaços habituais, das igrejas, dos lugares comuns, para comunicar a fé, encontrar as pessoas, sobretudo, os pobres. Fala a todos: bispos, padres, comunidades cristãs, leigos, fiéis em dificuldade, religiosos, irmãs... Ninguém é excluído, mesmo se as histórias e responsabilidades sejam diversas.
A proposta é “sair” com fé, como disse na Evangelii gaudium, seu verdadeiro programa. Acho entusiasmante participar desta “primavera”. No entanto, existem resistências dentro da Igreja. Por quê? É contraditório que cristãos não se alegrem com esta estação feliz. Sobretudo, é estranho que alguns, depois de haver tanto falado da autoridade do Papa, não prestem atenção a Francisco.
Alguns ignoram o Papa. Há resistências de quem não deseja mudar, não quer viver de modo comprometido ou, simplesmente, trabalhar mais. Parecem aqueles do filho mais velho da parábola do pai misericordioso [cf. Lc 15,11-32]: por que tanta atenção ao filho pródigo? Por que abrir tanto às pessoas?
Mas há resistências mais estruturadas. Desvaloriza-se o discurso do Papa, demasiado simples, ele é contraposto àquele de Bento XVI, mais elevado e douto (desse modo, se vai contra o profundo sentimento do Papa emérito). Para uma visão ideológica do cristianismo, a Igreja não deve crescer, mas se bloquear em um modelo ou numa fórmula. Talvez, não se dá conta dos graves desafios, em várias partes do mundo, direcionados ao cristianismo.
As muitas resistências são um sinal de que o Papa está mudando a Igreja. O historiador sabe, porém, que nos anos 1900 um Papa jamais teve tantas resistências como Francisco. Houve a forte crítica pós-conciliar a Paulo VI. Mas, então, havia uma contestação geral em relação a todos. Critica-se Bergoglio porque descuidaria dos valores éticos. Ele insiste que sua preocupação é comunicar, sobretudo, o coração do Evangelho. A atitude do Papa, não propensa ao clericalismo, abriria caminho à crítica (indisciplinada) dos fiéis em relação aos bispos e aos padres.
Na realidade, as pessoas acolhem o exemplo do Papa como estímulo para todos. Não é positivo criar um movimento de interesse pela Igreja e pela fé? A verdade é que o Papa, com suas intervenções, abriu o coração, revelou pensamentos, preocupações e prioridades. Não se comportou de modo político com a Igreja. A sua sensibilidade é pastoral. Pede para compartilhá-la numa renovada missão. Uma proposta franca e evangélica coloca todos diante de suas próprias responsabilidades. Desse modo, nascem as resistências. Mas, acima de tudo, um vasto povo de Deus colocou-se em movimento: em direção a uma nova escuta do Evangelho  e às pessoas. Como não ficar contente com isso?
Tradução do italiano por Telmo José Amaral de Figueiredo.

* Andrea Riccardi é um historiador e acadêmico italiano. Graduado em História Contemporânea pela Universidade de Estudos de Roma III, é notável estudioso da Igreja na Idade Moderna e Contemporânea, bem como fundador da Comunidade de Santo Egídio.
Fonte: Famiglia Cristiana

13 de março de 2014

UMA IGREJA MAIS COMUNITÁRIA, DIALOGANTE E FEMININA

Marco Politi
Il Fatto Quotidiano
09-03-2014
Marco Politi - jornalista italiano

Um ano depois da sua eleição, o Papa Francisco continua gozando de um consenso altíssimo, enquanto uma multidão de adversários silenciosos se move na sombra por trás dos bastidores. Jorge Mario Bergoglio rompeu os equilíbrios na Igreja Católica.

Se ele tivesse simplesmente cortado alguns escritórios da Cúria e trazido um pouco de eficiência e correção para o banco vaticano – como lhe pedia a base eleitoral no conclave –, ele não teria incomodado o núcleo conservador, que se aninha nos aparatos vaticanos e em muitas estruturas eclesiásticas espalhadas pelo mundo.

Se ele tivesse apenas organizado melhor as reuniões dos consistórios para possibilitar que os cardeais dos cinco continentes se expressassem pontualmente sobre alguns problemas de interesse geral, retomando ao mesmo tempo um contato regular com os chefes de dicastérios da Cúria para fazer funcionar melhor a máquina vaticana, todos os solidéus púrpura e roxo estariam tranquilos.

Ao invés, o papa argentino colocou em ação uma revolução. Ele está remodelando a Igreja Católica, despojando-a da mitologia e das práticas de um papado imperial em que o pontífice é soberano absoluto, e bispos, padres, irmãs e fiéis são simplesmente súditos.

Não é isso que indicava o Concílio Vaticano II, mas, nos fatos, no último meio século, ninguém tinha dado uma mão para desmontar a estrutura absolutista herdada pelo Concílio de Trento.

A insistência com que, em várias ocasiões, o papa cita, elogiando-o, o conceito de "sinodalidade" da Igreja ortodoxa significa que Francisco tem em mente um objetivo específico: uma Igreja católica mais comunitária, em que o governo central funcione com a participação dos bispos.

Em outras palavras, Bergoglio – sem tirar nada do poder decisional final dos pontífices – considera saudável para a Igreja que o papa romano governe "com" os bispos do orbe católico.

Ao mesmo tempo, o Papa Francisco está redefinindo a relação entre Igreja e sociedade contemporânea. A partir do diálogo com os não crentes, não mais considerados como mutilados (aos quais "falta" alguma coisa), mas tratados como portadores de valores a serem respeitados sem ambiguidade, porque, em última análise, o que caracteriza todo ser humano é a posição que a sua consciência toma diante do problema do bem e do mal.

Olhando para a contemporaneidade com um olhar livre de ideologismos doutrinários, em um ano ele varreu de cima da mesa o equivocado diktat dos "valores inegociáveis" – confessando que não entende o que o lema, no fundo, significa - e redefiniu radicalmente, segundo uma visão pastoral, toda questão da relacionalidade sexual e afetiva: do divórcio (é o primeiro papa que serenamente usa a palavra "segundo matrimônio") à contracepção, passando pela homossexualidade, pelas uniões civis, pela existência de núcleos de convivência em que as crianças se encontram juntas com adultos do mesmo sexo.
Papa Francisco

Faz parte dessa nova abordagem a consciência de que a Igreja Católica não pode seguir em frente sem abrir espaço concretamente para as mulheres. Francisco, no plano programático, deu um enorme salto em comparação com as tradicionais belas palavras sobre o "gênio feminino", que tinham espaço há décadas nos ambientes eclesiásticos. Ele disse que as mulheres na Igreja devem estar nos postos onde se "decide" e onde "se exerce autoridade".

No plano prático, ele apoiou uma vigorosa obra de limpeza no banco vaticano, colocou de pé procedimentos para a cooperação com outros Estados (incluindo a Itália) no campo das investigações financeiras, criou uma comissão para o combate à lavagem de dinheiro e instituiu um dicastério para controlar a política dos contratos e das aquisições no Vaticano: operações que são desde sempre fonte de negócios obscuros.

No plano do governo, a criação do "conselho da coroa" de oito cardeais provenientes de todos os cinco continentes constitui a rodagem de um órgão consultivo permanente inédito em tempos modernos.

Mas o mais interessante é a transformação do sínodo dos bispos em um pequeno concílio, convocado em intervalos regulares, ao qual o papa confia a tarefa de fazer propostas pastorais precisas. Não será ele – e ele não quer que seja ele – que vai se assomar à janela dizendo, por exemplo, que os divorciados em segunda união poderão fazer a comunhão.

A revolução de Francisco está no fato de ter organizado uma sondagem universal sobre o que os fiéis pensam (sabotado, no entanto, em muitíssimas dioceses) e de confiar aos sínodos de 2014 e de 2015 a responsabilidade de desfazer de peito aberto os nós da obsessão de controle da sexualidade, em que a hierarquia católica caiu depois de séculos de uma casuística exasperada.

A oposição dos setores mais tradicionalistas (ou simplesmente "desorientados") da Igreja é ativa em cada um dos pontos que Francisco enucleou para este ano. Rótulos maniqueístas não têm sentido. Na Cúria, existem reformadores e freadores. E assim também nos episcopados do mundo. Também há quem seja contra a comunhão aos divorciados em segunda união e é favorável à indulgência para os gays. Quem agita a bandeira das marchas contra o aborto e aqueles que veem como uma cortina de fumaça uma presença feminina nas salas de comando vaticanas. Os conservadores temem especialmente o fim do absolutismo papal. Na internet, os falcões se desafogam da maneira mais agressiva, tacitamente apoiados por aqueles prelados forçados oficialmente à subserviência com relação ao pontífice.

A enorme popularidade de Francisco, dentro e fora da Igreja – devido ao fato de que ele não parece falar ao "recinto" católico, mas sim à humanidade contemporânea –, é o escudo que protege o seu caminho reformador. Mas a batalha vai se tornar cada vez mais acirrada no momento em que estiverem em pauta as inovações específicas.

A estratégia do papa consiste precisamente em querer trazer à tona debates e conflitos naquele parlamento representado pelos "sínodos". Assim, o confronto será visível a todos, como nos tempos de João XXIII e Paulo VI durante o Concílio.


A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias

12 de março de 2014

SÍNODO SOBRE A FAMÍLIA: O QUE ESPERAR?



Marie-Lucile Kubacki 
La Vie
28-02-2014
Marie-Lucile Kubacki - jornalista francesa

Em Roma, sente-se brotando como um mal-estar. Desde alguns dias, quando as respostas ao questionário enviado pelo Vaticano às paróquias para preparar o futuro Sínodo sobre a Família começaram a chegar, o desconforto é palpável.

Lorenzo Baldisseri, secretário-geral do Sínodo dos Bispos, alertou sobre a “urgência de tomar consciência das realidades vividas pelas pessoas e de retomar o diálogo com aqueles que se afastaram da Igreja”, enquanto dirige leves reprimendas às Conferências dos Bispos da Alemanha, da Áustria e da Suíça. Ao publicar as respostas, esses últimos transgrediram, com efeito, a obrigação de sigilo que havia sido imposta.

Dirigindo-se aos jornalistas, no dia 25 de fevereiro, exatamente um dia depois que o Colégio dos Cardeais teve uma reunião de dois dias para discutir sobre a pastoral da família, o cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, declarou como “lamentável” a falta generalizada de conhecimento dos católicos sobre a doutrina da Igreja. Por outro lado, afirmou que não é porque as pessoas não compreendem a palavra de Jesus que ela possa ou deva ser mudada: “Seria paradoxal que a Igreja dissesse: ‘Uma vez que ninguém conhece a verdade, a verdade não será mais obrigatória no futuro’”.

As devoluções da “base” seriam mais problemáticas que o previsto?

Na França, a maioria das respostas registradas pelos bispos franceses aponta um “desajuste” entre “o ensinamento da Igreja e as escolhas dos casais”, desajuste que aparece “particularmente em relação à contracepção e às demandas que os divorciados recasados dirigem à Igreja em relação aos sacramentos da Eucaristia e da Reconciliação”. Por outro lado, uma grande maioria das respostas destaca que a Encíclica Humanae Vitae (1968) “entranhou em muitos casais uma ruptura com o ensinamento da Igreja” e que “a insistência da Igreja sobre esse ponto parece incompreensível para essas pessoas”. 

Na Suíça, 90% das respostas se dizem a favor da comunhão às pessoas divorciadas recasadas e 60% “apoiam o voto de reconhecimento e de bênção pela Igreja dos casais homossexuais”.

Na Alemanha, os jovens católicos julgam “irresponsável” comprometer-se com um casamento sem ter provado a solidez do seu laço coabitando antes de receber o sacramento. Eles são 90% nesse caso e julgam a situação “quase universal”. A síntese das respostas, que não deveria ter sido publicada, afirma que muitos católicos eram favoráveis à iniciativa lançada em 2013 pela Arquidiocese de Friburgo que encorajou os casais divorciados recasados a falar da sua situação a um padre local, a fim de que a questão da comunhão seja considerada como um caso de consciência pessoal.

As coisas se complicam quando cada um tem uma ideia muito precisa do que espera do “seu” sínodo e as expectativas de uns não são necessariamente as de outros. Assim, as respostas dos católicos diferem sensivelmente quando nos afastamos da Europa. Na África, a questão sensível não é tanto saber se os divorciados recasados vão poder enfim comungar ou se confessar, mas saber como acabar com a poligamia. E para um bom número deles, acabar com a poligamia supõe incitar a Igreja a abrandar o propósito da indissolubilidade do matrimônio como relação entre um homem e uma mulher para a vida e, portanto, frear uma possível evolução concernente ao acesso a alguns sacramentos para os divorciados recasados. Assim, de acordo com o vaticanista John Allen, “a voz da África no debate parece reforçar a ala conservadora”. Segundo os prelados que participaram das sessões, “os cardeais dos países em desenvolvimento emitiram conselhos de prudência em relação a uma eventual flexibilização da posição da Igreja”.
Papa Francisco abençoa um casal e seu filho - Basílica S. Pedro (Vaticano)

A polifonia poderia virar uma cacofonia? Em um artigo do National Catholic Reporter, “entre os 150 cardeais que participaram das sessões a portas fechadas com o Papa Francisco para repensar as práticas da Igreja Católica em matéria de pastoral familiar, alguns declararam que o Papa fez uma convocação para uma discussão num processo “mal compreendido”. Uma vez que não é possível para as pessoas de países diferentes conhecerem as especificidades de cada região do mundo, o cardeal francês Paul Poupard declarou que esperava que as reuniões ajudassem os cardeais ‘a encontrar meios para dialogar, sem que fosse uma guerra civil’”.

E se o objetivo do Sínodo foi mal compreendido? A dúvida parece aflorar. Esta é, ao menos, a opinião do arcebispo de San Francisco: “A ideia de preparar o Sínodo sobre a Família consultando os católicos como eles vivem o ensinamento da Igreja no dia a dia era uma iniciativa boa. Seu objetivo foi mal compreendido; não houve tempo para fazer o trabalho corretamente.” Com efeito, o sínodo tem por tema “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”: “O simples fato de que tenha este título já é em si uma resposta”, explica Florence de Leyritz, responsável, junto com seu marido, da Alpha France. “Nos concentramos sempre sobre os temas em que o ensinamento da Igreja, ao ser extremamente mal compreendido, é rejeitado. Ora, tudo está ligado. Muitas crianças não participam da catequese e deixam a fé cair. Mesmo nas famílias católicas, as crianças recebem toda sua educação, inclusive sua concepção da sexualidade, do mundo, e não da Igreja. E embora seja um serviço às pessoas machucadas, isso se vê muito pouco... É preciso, em primeiro lugar, articular todas essas dimensões. Se não nos focarmos nas questões sobre as quais se desviam todos os olhares, nos contentaremos em tratar os sintomas do problema sem arrancá-lo pela raiz.”

Mas se, ao contrário, a proposta foi perfeitamente compreendida? Para o vaticanista Sandro Magister, o Sínodo dos Bispos poderia ser influenciado de maneira determinante por um outro sínodo, aquele da opinião pública: “Pode-se prever que estas expectativas da opinião pública se farão ainda mais fortes e prementes quando o Sínodo se reunir pela primeira vez em outubro próximo. (...) Está acontecendo então com este Sínodo, por decisão voluntária do Papa e das altas hierarquias, o que aconteceu de maneira imprevista com o Concílio Vaticano II, ou seja, sua duplicação em um concílio “externo”, muito ativo nos meios de comunicação e em resposta a outros critérios, capazes de influir de forma determinante no verdadeiro Concílio.” Um sínodo “externo”, da opinião pública, poderia emergir, favorecido pela consulta lançada em novembro pelo envio do questionário. Então, sínodo da opinião pública e/ou Sínodo dos Bispos? A questão é tanto mais difícil porque nem a opinião pública de um lado, nem os bispos do outro, tocam a mesma partitura. Há uma forte aposta, portanto, em que o papel do chefe da orquestra seja determinante.

A tradução é de André Langer.

Fonte: Instituto Humanitas Unisinos - Notícias - Segunda-feira, 10 de março de 2014

11 de março de 2014

POEMA DA QUARESMA


FREI BETTO*
Entro nessa Quaresma sem fantasia, disposto às abstinências que resgatam, no mais íntimo de mim mesmo, a minha verdadeira identidade.

Calarei a língua ferina e não macularei a fama alheia exposta em público no varal de minhas cordas vocais.

Não darei ouvidos a inconfidências, nem ao ruído ensurdecedor das palavras vãs de quem só escuta a própria voz.

Fecharei o olhos para ver melhor e abrirei as janelas à revoada dos anjos.

Contemplarei as montanhas ocas de minha terra e derramarei uma lágrima por seus úteros arrancados e sonegados ao meu povo.

Nesta Quaresma, riscarei de meu dicionário o vocábulo competitividade e com aquarelas de utopias gravarei no coração solidariedade.

Irei ao encontro de quem ainda luta por direitos animais: comer, beber, educar a cria e abrigar-se das intempéries. Só assim costurarei minha humanidade esgarçada.

Jejuarei da ânsia consumista e ofertarei meu supérfluo tão necessário ao próximo. Abrirei a janela do carro e afagarei as crianças de rua, filhos de minha imobilidade frente a tantas injustiças.

Pagarei, com juros, a minha dívida social. Farei de Jesus parceiro de aventuras e deixarei que o seu Espírito engravide o meu.

Buscarei o silêncio orante e meditarei para inebriar-me da espiritualidade do conflito.

Adotarei o Sermão da Montanha como estatuto pessoal e assim acertarei meus passos nas trilhas da vida.

Arrancarei toda erva daninha - ciúme, inveja, ira - do canteiro de meus amores e cultivarei copas frondosas de quaresmeiras coloridas de ternura.

Serei perdulário com o bom humor e espalharei alegria como o ar que nos é dado a respirar.

Nesta quaresma, participarei da Campanha da Fraternidade na defesa da vida e contra o  Tráfico de Seres Humanos.

Desfraldarei a bandeira de minha indignidade e revelarei esperanças que,
olhos no futuro, me fazem acreditar num belo horizonte.

Peregrino, solitário e solidário, irei às fontes do Transcendente. Ao encontrar meu próprio poço,  mergulharei como um menino em suas águas profundas, até que o Pai de Amor me acolha em seus braços, dando-me de beber o vinho pascal 
do homem novo e da mulher nova.


* Frei Betto, nome completo: Carlos Alberto Libânio Christo. Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, aos 25 de agosto de 1944. É um escritor e religioso dominicano brasileiro, filho do jornalista Antônio Carlos Vieira Christo e da escritora e culinarista Maria Stella Libanio Christo, autora do clássico "Fogão de Lenha - 300 anos de cozinha mineira" (Garamond). Professou na Ordem Dominicana, em 10 de fevereiro de 1966, em São Paulo. Para saber mais, clique aqui.

Fonte: CRB Nacional - Conferência dos Religiosos do Brasil - DESTAQUE - 05 de março de 2014

Contribuição: Pe. Telmo Figueiredo