Posted: 15 Feb 2013 06:10 PM PST
No dia 11 deste mês, encontrava-me em visita à Província de Michoacán
(México), quando às 4 horas, recebi um telefonema de meu secretário
particular, dando a notícia da renúncia do Papa, o Bispo de Roma,
Sucessor de São Pedro. Confesso que a notícia me causou uma grande
tristeza. Hoje, depois de dois dias e agora de volta a Roma, acolho esta
decisão com respeito e com muita admiração. Quanta humildade,
liberdade, sentido de responsabilidade! Quanto amor pela Igreja!
Obrigado, Santo Padre!
Neste momento, considero importante me dirigir, queridos irmãos, a todos
com esta pequena carta. E, em primeiro lugar, faço para expressar, em
meu nome e de toda a Ordem, a minha gratidão a sua Santidade Bento XVI
por muitas mostras de proximidade e afeto para comigo e para com a
Ordem. Com ele me encontrei várias vezes por ocasião dos quatro sínodos,
dos dois encontros que teve com o Conselho Executivo da União dos
Superiores Gerais, da V Conferência do Episcopado Latino-americano,
durante a canonização dos santos franciscanos e em algumas visitas
pastorais que participei como convidado pessoal. Estão muito vivas na
minha mente as três audiências privadas que me concedeu e nas quais
compartilhei temas de interesse da Ordem.
Em todas elas, percebi em Bento XVI uma pessoa humilde e com grande
capacidade de escutar e compreender, bem como o seu grande amor por
nossa Ordem e seu profundo conhecimento da nossa espiritualidade. Ainda
estão recentes na minha memória as visitas do Papa à Terra Santa e a
Assis. Na Terra Santa foi uma graça recebê-lo no Monte Nebo, em Nazaré,
no Cenáculo e do Santo Sepulcro; e em Assis acolhê-lo também na
Porciúncula e São Damião. De sua peregrinação à Terra Santa, recordo com
especial gratidão as palavras de apreço pelo serviço que a Ordem
oferece à “pérola das missões”, manifestado particularmente no Monte
Nebo, no Cenáculo e nas palavras improvisadas durante um jantar em
Nazaré.
De Assis me recordo sempre das palavras de admiração por São Francisco.
Nós todos sabemos que estava programada sua visita ao Santuário de La
Verna. Ela não pôde se realizar devido ao mau tempo. Eu sei o quanto
custa ter que desistir. De qualquer forma, naquela ocasião nos deixou
uma bela mensagem que ainda hoje continuamos a valorizar. Por todos
esses gestos de solicitude paterna, obrigado, Santo Padre!
Em muitas outras ocasiões, Bento XVI mostrou o seu amor para os
franciscanos e não menos conhecimento da nossa tradição. Nestes anos nos
deixou muitos textos que merecem ser relidos e meditados com atenção.
Além de inúmeras referências ao nosso modo de vida, feitas várias vezes,
nos deixou a sua catequese sobre São Francisco, Santa Clara, Santo
Antônio, São Boaventura, Beato João Duns Scotus e outros autores da
Escola Franciscana. Pelo magistério franciscano que nos deixa, obrigado
Santo Padre!
A última vez que o encontrei foi no dia 2 deste mês, por ocasião do Dia
Mundial da Vida Consagrada. Depois de concelebrar com ele, tive o prazer
de saudá-lo pessoalmente. Assim que ele me viu, me reconheceu e disse: o
Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores! E acrescentou: São
Francisco, que grande santo e que atual, como é atual o seu carisma!
Então pedi a sua bênção apostólica para mim e para todos os irmãos, e
ele gentilmente concordou.
Hoje, meus queridos irmãos, transmito-lhes esta bênção. E faço cheio de
gratidão para com o Sucessor de Pedro. Na minha mente e no meu coração
ficará a imagem de um homem cujo rosto e andar evidenciam um trabalho
incansável para com a Igreja e pelo Evangelho, em cujas mãos se fez
sentir ao longo dos anos, e em cujo olhar, tímido, profundo e
penetrante, pode-se vislumbrar o coração de um pai que ama de verdade e
sem fingimentos. Assim, o recordo e assim peço que também se lembrem
dele, meus queridos irmãos, além de muitos “retratos” que ele nos
apresentou os meios de comunicação e que, quando menos, estão muito
longe da realidade.
Fazendo um balanço desses anos em que o conheci durante os quais me
dirigi a ele, posso dizer a vocês, meus queridos irmãos, que o Senhor
nos abençoou com o presente de Bento XVI, e que as relações com a Ordem
têm sido excelentes. Obrigado, Santo Padre!
Querido Santo Padre! Quando seu pontificado está terminando por um gesto
que considero profético e corajoso, fruto de oração, com grande
clareza, humildade e seu amor para a Igreja, em nome próprio e toda a
Ordem, obrigado! Obrigado por confirmar-nos na fé com seu Magistério
cheio de clareza, sabedoria e firmeza evangélica. Obrigado por nos
aproximar de Cristo através de sua palavra simples e profunda ao mesmo
tempo, e através de seus escritos, sempre oportunos e clarificadores.
Obrigado por seu olhar atento ao mundo e à sociedade atual, como mostrou
em suas encíclicas e em vários discursos. Obrigado por seu amor à
Igreja, o que o levou a buscar a purificação e pedir perdão pelos
pecados de seus membros. Obrigado por seu amor à vida consagrada e por
manifestá-lo em muitas ocasiões, não menos em presidir o último dia
mundial da Vida Consagrada, em 2 de fevereiro. Obrigado pelo gesto de
renúncia. Recebemos com tristeza e ao mesmo tempo com admiração. No
início de seu pontificado nos disse que se considerava um trabalhador,
simples e humilde na Vinha do Senhor. Se a humildade é a medida da
grandeza de uma pessoa, a confissão pública feita em 11 de fevereiro
confirma a verdade daquelas palavras e sua grandeza, a santidade.
Obrigado por nos ensinar, na escola da vida, que a autoridade da Igreja é
serviço. Obrigado pelo belo presente que nos deixa no Ano da Fé.
Obrigado, Santo Padre, por tudo isso!
Queridos irmãos: No momento, vamos aceitar com fé a decisão do Santo
Padre. Rezemos por Bento XVI para que possa continuar a servir a Santa
Igreja com todo o coração, com uma vida dedicada à oração, como é seu
desejo. Além de oração para ele, a nossa melhor homenagem a este homem
de Deus e grande Pontífice será valorizar o seu Magistério, através de
estudo, reflexão e oração de seus escritos. Rezemos também para a Igreja
e para que o Espírito do Senhor ilumine o coração e as mentes dos
eleitores do novo sucessor de São Pedro.
Seu irmão ministro, e servo
Frei José Rodríguez Carballo, OFM
Ministro Geral, OFM
Roma, 13 de fevereiro de 2013, Quarta-feira de Cinzas.

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