Ficha 4: Formação Litúrgica
Ficha 4 : Formação Litúrgica (2ª da S. C. )
Este texto sobre a Formação Litúrgica completa o estudo da ficha anterior, referente ao primeiro capítulo da SC: Os princípios gerais da Reforma e do Incremento da Liturgia.
Ele aborda os tópicos II e V nos quais podemos perceber a nova
mentalidade que surgia graças ao Concílio Vaticano II. Estes textos
lembram que além da Missão de Santificar, a Igreja também tem a Missão de Ensinar o Povo de Deus, daí
a importância da formação litúrgica dos cristãos e a criação de um
estrutura pastoral [1] dedicada à Pastoral Litúrgica nas dioceses e
paróquias.
No tópico II – Necessidade de promover a Educação Litúrgica (parágrafos
14-20), o texto indica que a participação ativa na celebração é um
direito e um dever de todos os fiéis. Todavia, para que isto aconteça, é
fundamental que haja formação litúrgica, começando pelo clero que, por
sua vez, deve multiplicar a formação aos agentes de pastoral e ao povo.
Esta ação se insere na grande preocupação do Concílio, de renovar a
Igreja e fazer com que a sua prática e o seu discurso sejam
significativos ao homem moderno.
No tópico V – A promoção da ação Pastoral Litúrgica
(parágrafos 43-44), são apresentadas as condições para que a Pastoral
Litúrgica possa se desenvolver e atinja seu objetivo: o cuidado
espiritual do Povo de Deus, a quem os Ministros Ordenados existem para
servir. O Concílio determinou que em todos os países fossem criados uma
Comissão Litúrgica – com especialistas em Liturgia, Música Sacra e
Pastoral – e um Instituto de Liturgia Pastoral; e estas duas estruturas
deveriam ser reproduzidas nas dioceses e nas paróquias.
Atualmente, é impensável que em uma
comunidade e/ou paróquia inexista uma ‘equipe’ de liturgia, ou que não
haja a preocupação com a formação litúrgica dos agentes de pastoral, mas
esta é uma realidade do nosso tempo. Na época do Concílio não era
assim! A própria noção de ‘equipe pastoral’ só nasceu depois deste
importante evento que, diferentemente dos outros, preocupou-se muito com
a ‘pastoral’. Esta foi a grande mudança em relação aos outros
concílios. Nesta nova forma de organizar a ação eclesial, a Pastoral
Litúrgica foi uma das primeiras equipes a serem criadas nas dioceses e
paróquias. Com isso, pode-se dizer que as mudanças litúrgicas, sugeridas
e implantadas ao longo desses cinquenta anos, contribuíram para
fortalecer a nova concepção de Igreja como ‘Povo de Deus’. Se hoje
existem equipes, nas paróquias e comunidades, é porque o Concílio as
incentivou e indicou orientações para isso. Também, foi em função da
organização pastoral que a Igreja determinou que os Livros Litúrgicos:
Missal, Lecionários, Rituais Sacramentais, fossem traduzidos para as
línguas locais. Outra importante orientação do Concílio foi que os
bispos considerassem a possibilidade de fazer adaptações das culturas
locais na Liturgia.
A Pastoral Litúrgica tem sido uma
preocupação presente nas quatro últimas Conferências do Episcopado
Latino Americano (CELAM) pós Vaticano II. A Conferência de Medellín
(Colômbia – 1968) dedica vários artigos à SC e destaca a necessidade do
empenho do clero para que a renovação leve em conta a variedade das
culturas locais e sirva para formar e fortalecer as comunidades. A Conferência de Puebla
(México – 1978) destaca a importância da Liturgia como um meio para a
comunhão e para a participação dos fiéis, bem como reforça a necessidade
do empenho de todos para que as reformas propostas aconteçam. Na Conferência de Santo Domingo
(República Dominicana – 1992), dentre os três objetivos estabelecidos
está o de prosseguir e aprofundar as orientações de Medellín e Puebla, e
definir uma nova estratégia de evangelização para os próximos anos,
respondendo aos desafios do tempo. Já a Conferência de Aparecida
(Brasil – 2007), ao destacar a necessidade de formar os discípulos
missionários, implicitamente indica a importância da formação litúrgica,
principalmente no que diz respeito a celebrações litúrgicas como lugar
de Encontro com o Cristo. Neste sentido a pastoral litúrgica tem um
papel muito importante na formação dos discípulos missionários.
Conforme a SC – Ficha 1 – Sagrada Liturgia, em 1963 foi criada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil
(CNBB) a linha 4 do Plano de Pastoral de Conjunto, denominada Dimensão
Litúrgica, que logo depois tornou-se a Comissão Nacional de Liturgia
(CNL). Esta promoveu visitas e cursos em várias Dioceses, de tal modo
que, rapidamente, houve a crescente implantação das novas orientações
litúrgicas no Brasil, o que produziu uma multiplicação de Equipes de
Liturgia capazes de preparar as Celebrações Sacramentais e,
especialmente, a Missa, e escolher os cantos litúrgicos apropriados.
Atualmente, o organismo responsável pela Liturgia é a Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia.
Na perspectiva de promover o direito do
povo de celebrar sua fé nos domingos, o Concílio permitiu que todas as
comunidades pudessem se reunir nas Celebrações da Palavra, mesmo sem a
presença do padre, o que contribuiu para fortalecer e multiplicar as
comunidades, especialmente na América Latina.
Como a SC autorizou o uso da língua
pátria nas celebrações, a CNBB promoveu um trabalho extraordinário na
tradução dos rituais, e na produção de orientações e documentos
relativos aos sacramentos. Em fins de 1974, lançou dois documentos Pastoral da Eucaristia e Pastoral dos Sacramentos da Iniciação Cristã; em 1976, Pastoral da Penitência e Pastoral da Música Litúrgica no Brasil; em 1977, Diretório para missa com grupos populares; em 1978, Orientações Pastorais sobre o Matrimônio; em 1979, Pastoral da Unção dos Enfermos; em 1980, Batismo de Crianças, e em 1989, o Documento 43 - Animação da Vida Litúrgica no Brasil.
Todos estes documentos contribuíram para a unidade pastoral e para a
formação dos agentes da Pastoral Litúrgica. Em 2002 a publicação da Instrução Geral sobre o Missal Romano
(IGMR) escrito pela Santa Sé, também muito contribuiu para a formação
das Equipes de Liturgia. Destes, o Documento 43 da CNBB: Animação da
Vida Litúrgica tornou-se referência para a formação das equipes de
liturgia nas comunidades e paróquias, e continua até nossos dias sendo o
guia para muitos cursos sobre Liturgia.
As Celebrações Litúrgicas oferecem um
profundo ensinamento espiritual numa dimensão formativa que não se dá
através das práticas pedagógicas, mas da mistagogia, isto é, o cristão é
inserido no mistério de Cristo e, por conseguinte, da Igreja, Povo de
Deus, através da participação ativa nas celebrações. É através dos
sinais litúrgicos e, especialmente, através dos sinais sensíveis e
visíveis da fé, os Sacramentos, que a comunidade e cada singular cristão
experimenta o divino em sua vida. Por isso, a participação nas
celebrações não deve ser vista como uma obrigação, mas como fonte e
ápice da vida cristã. Na Liturgia os fiéis celebram a fé e são impelidos
a viver a prática cristã no cotidiano, dando testemunho por atos e
palavras daquilo que dizem crer!
1 – A palavra pastoral deriva de pastor. Ação pastoral católica ou simplesmente pastoral é a ação da Igreja Católica no mundo ou o conjunto de atividades pelas quais a Igreja realiza a sua missão, que consiste primariamente em continuar a ação de Jesus Cristo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Liturgia em Mutirão – CNBB
Liturgia em Mutirão: subsídios para a formação/2007 – CNBB
Liturgia em Mutirão II: subsídios para a formação/2009 – CNBB
Ione Buyst, Equipe de liturgia, Ed. Paulinas
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